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Livros da guerra colonial

Miandica terra do outro mundo


sexta-feira, 21 de junho de 2019

21 DE JUNHO DE 1969: A TRAGÉDIA DO RIO ZAMBEZE

ESTA CRÓNICA E FOTOS FORAM RETIRADAS DO LIVRO DE MANUEL PEDRO DIAS INTITULADO:
AQUARTELAMENTOS DE MOÇAMBIQUE.
DISTRITOS DO NIASSA E ZAMBÉZIA - 1964 - 1974 E A TRAGÉDIA DO RIO ZAMBEZE 1969

Na tarde de 21 de Junho de 1969, próximo das 17H,que uma coluna militar composta por 150 homens e 30 viaturas, que aguardava havia já seis dias a possibilidade da passagem daquele rio,embarcou no batelão,em Lacerdónia,com destino a Mopeia, na margem esquerda do Zambeze.
Ainda não era decorrida uma hora de viagem quando,inesperadamente,a embarcação,demasiadamente carregada,começou a inclinar sendo invadida pela água,fazendo-a afundar.
As razões que motivaram este trágico acidente não foram, oficialmente, esclarecidas. Admitiram-se vários cenários, expressos nos jornais da época: Excesso de peso , falta de força nos motores; e também o facto de não estar ainda inteiramente concluída a construção do batelão. Meras suposições. Não temos conhecimento se, mais tarde, foram apuradas as verdadeiras causas que motivaram tamanho desastre.
Os irmãos Campira. Resgataram 19 sobrevivente e foram condecorados
Contudo, no diálogo que travámos com dois dos sobreviventes, foi-nos dito que o batelão,face ao peso da carga,navegava com a plataforma quase submersa o que,por este motivo e também pela pequena ondulação que se fazia sentir,começou a meter água.O comandante da embarcação,que se encontrava na proa,em conversa com o Alferes Rosário e outro graduado,ao verificar a situação, ordenou para a casa das máquinas uma manobra de correcção, ou seja navegar para a margem,  ordem esta que não foi percebida pelo maquinista, que ao tentar corrigi-la fá-lo de tal forma brusca, provocando,com a ajuda da água já acumulada no batelão, o seu afundamento, mas não totalmente, pois durante algumas uma pequena parte do mesmo, inclinada a menos de 45 graus,manteve-se fora de água. Este facto,segundo explicação de um dos nossos interlocutores aconteceu visto o batelão navegar já ao longo da margem esquerda do rio, em direcção a Mopeia, que não ficava, como se possa julgar, defronte a Lacerdónia,de onde partiu a coluna , como se disse. Assim, a proa ao afundar-se, arrastando consigo as viaturas, enterrou-se no fundo do rio. A corrente que se fazia sentir e a "provável ajuda"de algumas viaturas,manteve o barco naquela posição,onde seis militares conseguiram agarrar-se até serem salvos pelos pescadores Campira.  Muitos dos militares lutaram, alguns durante horas,"com as aguas do Zambeze", mas só 54 sobreviveram, ficando 19 a dever a sua vida a quatro pescadores autóctones que laboravam por perto, os Irmãos Campira. 
Aqueles irmãos apercebendo-se, pelo barulho, que algo de estranho se passava, impulsionaram as suas pirogas para as imediações do acidente efectuando, por longo período de tempo, o salvamento de homens semiafogados e exaustos para a ilhota onde viviam. Depois de terminada esta tarefa, os pescadores prestaram aos sobreviventes, que tinham dores,frio e e choque emocional, a assistência possível, fazendo fogueiras para os aquecer.Uma vez que a lenha era escassa, não hesitaram em queimar parte das próprias palhotas onde viviam. Refira-se que as habitações destes pescadores, com tectos de colmo, se encontravam suspensas sobre estacas para as proteger das águas do rio, sendo alguns desses troncos utilizados para a fogueira.
Depois disso, já pela madrugada, os Campira foram a Mopeia, acompanhados por alguns sobreviventes, avisar as autoridades locais que iniciaram de imediato as buscas. A atitude dos pescadores originou em Moçambique,uma onda de solidariedade tal que lhes valeu, por iniciativa do jornal"Diário" de Lourenço Marques, a oferta de uma casa pré-fabricada, bem como um louvor decretado pelo Governador-Geral Dr.Baltazar Rebelo de Sousa.Foi com base neste louvor que lhes foi concedida a Medalha de Prata de serviços distintos no Ultramar.
Entretanto, outros militares conseguiram,pelos seus próprios meios,alcançar terra firme, muitos deles utilizando, como precioso auxílio, vários objectos flutuantes, tais como:Malas e sacos de viagem, bidões vazios, pedaços de madeira,etc...Houve até quem ficasse a dever a sua vida a uma viola que trouxera da Metrópole. Nos dias consequentes à tragédia,Mopeia foi "invadida"por jornalistas da imprensa da Província e da África do Sul. Deslocaram-se ao local algumas entidades militares.Uma das faltas mais notadas foi a do Movimento Nacional Feminino.
Em praticamente todas as capitais de Distrito foram celebradas exéquias religiosas em memória dos que perderam a vida naquele fatídico acidente.
À grande maioria dos sobreviventes,que se manteve no pequeno destacamento militar de Mopeia, coube-lhe ainda a ingrata missão de tentar identificar os corpos que durante alguns dias iam sendo resgatados das águas e margens do Zambeze.
Quando nos ocorreu a ideia de inserir neste livro a tragédia do Zambeze, estávamos conscientes que, se o fizéssemos só com base nas pesquisas efectuadas nos jornais da época, alguma informação que prestássemos não seria precisa. Então empenhámo-nos no sentido de chegar ao contacto com alguns dos sobreviventes, para ouvir de viva voz, os seus angustiantes relatos das horas que se seguiram ao acidente.
Assim,  como já referimos,em Julho de 2009, 40 anos depois, conseguimos falar pessoalmente com dois sobreviventes da tragédia, o António Banza Rodrigues e o João Filipe Barata Coelho, cujas palavras ouvimos sem gravador nem bloco de notas, mas ficaram de tal modo gravadas na nossa memória, que dois dias depois, defronte do computador transcrevemos na íntegra os seus impressionantes relatos. " Ouçamos, então, as suas vozes "

Disse-nos António Banza Rodrigues:
Eu, já refeito do susto em Mopeia
Em  traços gerais, sem entrar em pormenor ,corroboro o que atrás foi escrito sobre o acidente. No entanto, quero acrescentar que, antevendo uma eminente tragédia, não cumpri as ordens do comandante da coluna que ordenava ao pessoal para se dirigir ao outro lado do batelão com o objectivo do equilibrar. Naquele breve espaço de tempo despi a camisa e descalcei as botas, mas enquanto o fazia um camarada ainda me disse:« Eh pá, eu não sei nadar» infelizmente engrossou a lista dos mortos. 
Já com o batelão a afundar cada vez mais, lancei-me à água, afastando-me desesperadamente do local breves segundos depois, a tragédia se consumava.Foram momentos dramáticos pois ouvia nitidamente os gritos de pânico daqueles que não sabiam nadar tentavam agarrar-se, fosse ao que fosse, na ânsia de se salvarem.
Entretanto, fui nadando de costas com o objectivo de me cansar o menos possível, mas tive que desistir da ideia, uma vez que a água me entrava pela boca. Passado algum tempo vi perto de mim um saco de viagem a boiar, consegui chegar junto a ele, ou ele junto a mim, e lá me segurei, com muito jeitinho, para que não se abrisse e perdesse, por, isso, o efeito de bóia. Lá longe, vislumbrava a margem do rio, o pôr do sol já se iniciara, a noite não tardaria. Acerto passo,ao olhar para o lado, vejo um camarada de infortúnio, já exausto, tentando chegar até mim para usufruir da "boleia" do meu providencial saco, mas tive a consciência de que se isso acontecesse seria, talvez, fatal para ambos, uma vez que aquela "tábua" de salvação não comportar dois "penduras". Além disso, não sabendo em concreto o estado em que se encontrava aquele camarada, resolvi atirar-lhe o saco, evitando assim que ele se aproximasse. 


Os três companheiros de infortúnio a quem pedi boleia no bidão
Decorridos mais alguns minutos e cada vez mais exausto, vejo três camaradas agarrados a um bidão vazio a quem pedi "boleia" e me foi concedida visto haver espaço para quatro.
Contudo, face ao esforço despendido, quer físico, quer psicológico, acentuava-se cada vez mais a minha debilidade, até porque a cerca de 50 metros da margem, resolvemos largar o bidão e nadar para terra ficando assim, cada qual entregue a si próprio.
Alguns momentos depois, já sem movimento e vencido, dei os "trunfos" ao Zambeze com que lutara durante duas e intermináveis horas. Acontece que, quando as minhas pernas, já inertes, desciam na vertical, senti os pés pisarem terra. Num impulso, ganhando de  novo ânimo, vindo não sei de onde, pus-me de novo de pé e verifiquei que a água me dava por altura do peito.
Com dificuldade, consegui alcançar a margem onde se encontravam já alguns camaradas, uns que chegaram pelos seus próprios meios, outros transportados pelos irmãos Campira, cuja actuação já foi relatada.
Assim foi o primeiro acto da minha comissão de serviço em Moçambique, outros mais estavam para acontecer.


O Governador Geral, Drº Baltazar Rebelo de Sousa,ouve, os sobreviventes
Eis o relato que nos fez João Filipe Barata Coelho:
As quatro décadas decorridas, não foram ainda suficientes para apagar da minha memória os  horrores da tragédia que presenciei e vivi naquele fatídico fim de tarde de 21 de Junho de 1969.
Enquanto o batelão navegava eu ia tentando ocupar o tempo conversando com este ou aquele camarada de viagem. No momento em que me encontrava numa amena cavaqueira, à proa, com os comandantes da embarcação e da coluna, comecei a sentir os pés molhados, reparando que as ondas do rio provocavam a entrada de água, com alguma abundância, para cima da plataforma, situação que levou o comandante do barco a dar instruções, como já atrás foi referido, para o manobrarem na direcção da margem. Apercebendo-me que algo ia correr mal , e assim aconteceu num curtíssimo espaço de tempo, dirigi-me, rapidamente, no sentido inverso onde me encontrava, despindo, entretanto, a roupa, ficando apenas em cuecas. Como por magia demoníaca batelão emerge arrastando consigo homens, viaturas e demais carga que transportava. Lá bem no extremo da parte emersa da embarcação preparava-me para me lançar à água quando os cinco camaradas que ali se encontravam, firmemente seguros, imploravam que não os abandonasse, pois não sabiam nadar. Perante aquelas aflitivas súplicas e por verificar que a parte 
 onde nos encontrávamos não se movia, resolvi ficar. Durante o tempo que ali permanecemos, cerca de duas horas e meia, fui tentando ganhar forças psicológicas  para dar ânimo aos meus companheiros de infortúnio e a mim próprio. Era visível que a traseira do batelão se ia afundando gradualmente. Sentíamos isso pela água que, cada vez mais cobria os nossos corpos.
Recordo que o pânico se apoderava de  mim quando via, por perto, algo a deslizar pela corrente pois, como é sabido, o Zambeze é habitat natural dos crocodilos, os quais, com toda aquela agitação, deveria, sem dúvida, andar nas redondezas. Felizmente que toda aquela flutuação não passava de ramos de árvore e plantas aquática.
As esperanças de salvamento esfumavam-se, ao mesmo ritmo com que a noite avançava sobre o Zambeze e, por isso, a todo o momento teria que tomar uma decisão, que não poderia ser outra se não abandonar o local, deixando ali os meus companheiros a aguardar que o batelão se afundasse definitivamente, o que aconteceu horas mais tarde.
No meio de um "nocturno silêncio" ouvimos uma voz forte, lá longe, gritar: Há aí alguém?. Enchendo os pulmões de ar, respondemos, com toda a força que nos foi permitida, que sim. Quantos estão aí?, retorquiu aquela voz salvadora. Minutos depois surge perto de nós uma piroga com um único timoneiro, um dos irmãos , que em três viagens transportou os náufragos para porto seguro. 
O Governador do Distrito da Zambézia cumprimenta os irmãos Campira
Como devem calcular é difícil descrever em palavras o momento em que pisei terra firme e vejo reunidos os cinco companheiros de infortúnio que horas antes ouvira: Meu Furriel, eu não sei nadar.
Pela madrugada, com o grupo praticamente, reunido seguimos para Mopeia onde permanecemos durante algum tempo.
Quero aproveitar esta oportunidade para, publicamente, enaltecer( julgo que me seria passada procuração para falar em nome de todos) a forma como fomos tratados, pela população local, autoridades civis, camaradas do pelotão que ali se encontrava destacado e, particularmente, a uma grande Senhora do Chinde, de nome Dona Ana do Chinde, pessoa muito conhecida, que foi incansável nos seus préstimos, nomeadamente no fornecimento de produtos alimentares diversos.
Há distância destes longos anos o meu Bem Haja a todos.
Finda a dura tarefa de identificação dos corpos, recebi guia de marcha com destino ao Lunho, "capital do estado de Minas Gerais". Na verdade, nada mais gratificante para recuperar física e psicológica dos males sofridos...


Os sobreviventes da tragédia
Adelino Augusto Padre; Adriano Saveca; Agostinho Francisco; Agostinho Naiveve,
Agostinho Oliveira; Alberto Maganha; Alcino Gomes de Moura; Alfredo Dias;
Alfredo Rende; António Banza Rodrigues; António Bernardino Silva; 
António Carlos Prudêncio; António Esteves Lourenço; António Augusto Salgado; 
António Lopes Cardoso; Armando Murulango; Armindo Gomes da Silva;
Artur Videira Carreira; Caetano Oala; Ernesto Saete; Eugénio Daniel Santos;
Felizardo Langa;  H. Aing; João António F. Carvalho; João Filipe Barata Coelho; 
João Louro Carapito; João Manuel Alves Meireles; Joaquim C. Alichamade;
Joaquim L.P. Sardinha; Joaquim Turrula Ribeiro; Joaquim V. Simões Pereira;
José Justino Pinto; José Morais da Silva; Lucas Gasolina: Luís Augusto Silva;
Luís da Silva Torres; Manuel Albino Dabale; Manuel Rodrigues Figueira; 
Manuel Costa Almeida; Manuel da Rocha Cardoso; Manuel J.P. Rodrigues;
Manuel santos Ventura; Maximino dos Santos; Nelson Vasconcelos Afonso; 
Rafael António A. Pereira; Raúl Lopes Rodrigues; Rodrigues Manuel;
Rui Alexandre Ribeiro Silva; Samuel Elias; Vítor M. Videira Cardoso.
A retirada de uma viatura do fundo do rio

RECORTE DE JORNAIS DA ÉPOCA QUE RELATARAM A TRAGÉDIA DO RIO ZAMBEZE DE 21 DE JUNHO DE 1969

































































Enquanto o batelão navegava 

segunda-feira, 3 de junho de 2019

PRISIONEIROS DE GUERRA - 3ª/BCAÇ4811 - LUSSANHANDO- DISTRITO DO NIASSA - MOÇAMBIQUE

                                Clicar na imagem para expandi-la.




Prisioneiros de Guerra
3.ª Companhia de Caçadores

Batalhão de Caçadores 4811/72

«CUJA FAMA VIRÁ QUE DOME»

Moçambique - Lussanhando

Setembro de 1974
 

A 3.ª/BCac4811/72 desembarcou na Beira. Colocada em Valadim, rendeu a CCac3471/BCac3867. Guarneceu Milepa com um pelotão.
Em Junho de 1974, foi rendida em Valadim, pela 2.ª/BCac4813/73 e transferida para Chiulezi. Guarneceu com um pelotão o destacamento de Lussanhando (distrito do Niassa).



REGIÃO MILITAR DE MOÇAMBIQUE                   BCAC. 4811/72
RELATÓRIO DE ACÇÃO                                             3ª CCAÇ
REFERENTE AOS ACONTECIMENTOS DE           25 SET.74
LUSSANHANDO (DISTRITO DO NIASSA)
GENERALIDADES:

DIA 4 DE  SETEMBRO DE 1974
Cerca das 14h30, estando o  pessoal empenhado só em carregar as viaturas com todo o material menos o de guerra, em virtude de partirmos no dia seguinte para o Chiulézi, onde se encontrava a sede  da  companhia, apareceram quatro elementos da Frelimo, vindos do lado da pista com as armas em bandoleira, tendo eu sido alertado pelo sentinela de vigia, dirigi-me ao limite do arame farpado, que ficava a 10 metros distanciados  do quartel, para os receber conforme ordens recebidas anteriormente via mensagem, como entre eles havia elementos conhecidos de um dos nossos graduados pareceu-nos fácil a conversação e sem problemas, pois eram os mesmos que tinham ido a Valadim, queriam conversar em paz e com o pessoal reunido na pista desconfiei logo do caso de Omar, o pessoal já estava a tomar as devidas medidas de segurança, quando de repente ouviram-se vozes em volta de todo o Destacamento gritando que davam um minuto para reunir o pessoal na pista ou queimariam tudo, imediatamente invadiram o quartel, eram cerca de 450 elementos escondidos no meio do mato sem que nós os tivéssemos detectado, não tendo eu visto qualquer possibilidade de resistir olhando à surpresa, falsidade, quantidade de forças e armamento das mesmas decidi que o pessoal seguisse para o local combinado e eu tentei dirigir-me para o local onde estava o material cipto para proceder à sua destruição, mas fui impossibilitado de o fazer pelos guerrilheiros que já tinham invadido o destacamento. Ao fundo da pista com o pessoal todo formado tivemos uma conversação com o comandante de artilharia, Pedro Canísio, pedi que nos deixasse regressar ao quartel que iríamos abandoná-lo no dia seguinte, tendo-me respondido que as forças da Frelimo não tinha ordens de finalizar as operações e teriam de nos levar para mostrar aos seus superiores os resultados das mesmas, mas que não queriam mais derramamento de sangue por isso utilizaramo plano de nos capturar, estando seguros que nós não faríamos fogo a não ser em legítima defesa, devido às conversações feitas em Valadim com o seu comissário político Manuel Majice. Depois da reunião dirigimos-nos para um local distanciado do destacamento cerca de 3 Kms, onde pernoitámos.
DIA 5 DE  SETEMBRO DE 1974
Estivemos estacionados no mesmo local, onde se juntaram elementos da população para carregarem todo o material do destacamento, cerca das 11h apareceu dois bombardeiros da FAP para se certificarem da nossa situação, sobrevoaram o destacamento e imediatamente retiraram.
DIA 6 DE  SETEMBRO DE 1974
Logo de manhã partimos em direcção à base central M`zumbig, onde chegámos pelas 17h.
DIA 7 DE  SETEMBRO DE 1974
Pelas 08h formamos juntamente com os guerrilheiros, tendo discursado o chefe Felisberto Massinga, tendo-se referido à política actual do nosso governo, após esta reunião tomamos uma refeição e descansamos o resto do dia.
DIA 8 DE  SETEMBRO DE 1974
Pelas 05h partimos da base em direcção à Tanzânia, tendo atravessado o rio Rovuma pelas 14h do dia DIA 11 DE  SETEMBRO DE 1974,a travessia foi feita em canoas de casca de árvores, a partir daqui diziam que tinham todas as condições de alojamento e alimentação, incluindo cerveja e tabaco, o que viemos a verificar que era tudo mentira. Pernoitamos numas palhotas ali construídas.
DIA 12 DE  SETEMBRO DE 1974
Partimos da margem do Rovuma em direcção ao  Magazine, armazém onde tinham roupas, material de guerra e alguns géeneros alimentícios à base de farinha e arroz, estivemos estacionados neste até ao DIA 14 DE  SETEMBRO DE 1974tendo conversado com os chefes e a população.
DIA 15 DE  SETEMBRO DE 1974
Fomos transportados em viaturas militares tanzanianas até à Vila de Songea, onde ficámos estacionados até ao DIA 17 DE  SETEMBRO DE 1974,continuávamos sem ter condições de alojamento e alimentação
DIA 17 DE  SETEMBRO DE 1974
Partimos numa viatura da Frelimo em direcção ao campo político de Thunduru, onde chegámos pelas 17h não nos sendo permitida a entrada no mesmo, pernoitámos numa estação de autocarros e tomamos a única refeição às 21h, falaram connosco algumas entidades da Tanzânia.
DIA 18 DE  SETEMBRO DE 1974
Logo de transportaram-nos para um campo de futebol por causa da numerosa população que se juntava para ver os portugueses, ficando a mesma admirada ao ver os elementos da Felimo a conversar connosco, verca das 13h partimos em direcção à cidade de Nashinguea, onde chegámos pelas 19h, encontrando-nos com o pessoal de Omar no quartel tanzaniano, colocando-nos junto aos mesmos tendo um pátio rodeado de arame farpado e soldados tanzanianos.
DIA 19 DE  SETEMBRO DE 1974
Pelas 11h recebemos a visita do presidente Samora Machel que cumprimentou um por um os homens, tendo afirmado a certa altura:
-- Pedimos ao governo português que elaborasse uma lista de prisioneiros de guerra e a resposta que nos deram foi a seguinte: "não temos nenhum". Vocês são uns assassinos! Mataram-nos todos.! Mas a Frelimo entrega-vos ao vosso governo e partem hoje mesmo.
Foi nesse momento que ficámos a saber que íamos ser restituídos.
Pelas 15h30 partimos para o aeródromo local, onde tinha aviões militares da Tanzânia para nos transportar para Nangade. Quando todos os homens de Omar tinham sido transportados, mandaram-nos regressar ao quartel tanzaniano, em virtude de estar noite e os aviões não poderem aterrar. jantamos e e pernoitamos no mesmo.
DIA 20 DE  SETEMBRO DE 1974

Logo de manhã fomos transportados para o aeroporto, partimos do mesmo cerca cerca das 10h em direcção a Nangade onde tivemos uma ligeira refeição e pernoitámos.
DIA 21 DE  SETEMBRO DE 1974
Partimos de Nangade num avião da FAP tendo chegado a Nampula pelas 10h40, onde se encontravam entidades superiores para nos receberem.
CONCLUSÕES:
A Frelimo capturou todo o material existente no destacamento.


ESTE TEXTO E AS FOTOS FORAM RETIRADOS DO PORTAL UTW - VETERANOS DA GUERRA DO ULTRAMAR








































segunda-feira, 20 de maio de 2019

DISTRIBUIÇÃO DE CORREIO

UMA DISTRIBUIÇÃO DE CORREIO

MOLUMBO -ZAMBÉZIA, MOÇAMBIQUE 

POR: Manuel Pedro Dias 
Furriel Miliciano da CCAÇ 1559

Texto retirado da Revista "O BATALHÃO" (BCAÇ 1891) nº 0 de 1992

Dez horas da noite. O Unimog tardava da viagem que fizera a Vila Junqueiro /Gurué) com a missão de trazer o correio. Não estávamos receosos que algo tivesse acontecido, pois sabíamos que quem fazia aquela viagem, sempre muito disputada, se esquecia de regressar, em virtude de, naquela bonita vila, rainha do chá, encontrar atractivos suficientes para compensar o tédio vivido no Molumbo.
Estávamos isso sim, desejosos de ver na nossa frente o saco de correio com o seu precioso conteúdo. O tempo decorria. A rapaziada deambulava em redor do aquartelamento, impaciente. Ninguém se deitava. Se tantas noites se perdiam, obrigatoriamente em patrulhas e sentinelas, porque não esperar até de manhã, se necessário, para receber a mensagem tão desejada?
Ao longe avistam-se os faróis do Unimog. Quase em uníssono foi ouvida a frase: - Lá vem ele! - com a chegada da viatura a algazarra e a excitação recrudesciam. Entretanto uma voz se eleva acima de todos: - Todos para a cama seus "coirões"- gritou o Capitão Veiga - hoje não há correio para ninguém. Estou farto de dizer que não quero barulho.
- OH meu capitão - disse um - a malta está sossegada. Dê lá ordem para distribuir o correio.
- Oh meu capitão - disse outro - então eu estou à espera de carta da miúda que já da última vez não me escreveu. Não nos faça uma coisa dessas.
As solicitações foram surgindo, embora  ooa que conheciam bem o capitão Veiga soubessem que a distribuição seria efectuada.
- Lontão, abra lá o saco e dê o correio a estes <>, mas sem barulho estão a ouvir?
À luz do petromax, os nomes iam surgindo sempre seguidos dos clássicos: "pronto" ou "está no mato" Finda a tarefa da distribuição, vinha para alguns a desilusão e a tristeza, e que tristeza, pois só quem viveu esses momentos pode avaliar o que é não receber uma carta dos entes queridos. Para outros, os mais felizardos, havia que procurar qualquer foco de luminosidade e "devorar"; num ápice toda a correspondência, porque os pormenores, esses, seriam feitos numa 2ª, 3ª ou ª leituras. Entretanto, os analfabetos aguardavam, ansiosamente, de carta na mão, que o seu amigo mais íntimo, (pois estas particularidades não se davam a ler a qualquer um) acabasse a leitura da sua missiva para, de seguida, lhes ler as notícias dos seus familiares. Refira-se, a propósito, que no final da comissão, muitos destes homens já saberiam ler e escrever, graças à sua força de vontade, e à disponibilidade de alguns elementos da companhia, que ministravam as aulas de acordo com os seus tempos livres.

Jorge Packlo da CART. 1710 em Mueda a distribuir o correio
No dia seguinte, havia que pôr toda a escrita em ordem pois, a qualquer momento e por qualquer motivo, uma viatura poder-se-ia deslocar a Vila Junqueiro, aproveitando assim para transportar o correio. Então, por todos os lados se viam homens escrevendo, sentados nas camas, na escadaria do aquartelamento ou em qualquer outro lugar, tendo como mesa os próprios joelhos. As esferográficas corriam céleres sobre o papel, mas de vez em quando, um ou outro parava. Havia que meditar, por vezes, na mentira a pregar aos familiares mais queridos, não lhes contando o modo como vivíamos, mas, pelo contrário, dar-lhes a ideia que não lutávamos com qualquer carência  - a nossa vida era "um mar de rosas"...
Uns diziam que trabalhavam na secretaria nunca indo, por isso, para o mato. Assim, havia que montar um sistema bem organizado com o envio das cartas, quando chegava a sua vez de partir efectivamente para o mato. O único processo era deixar aos companheiros, no aquartelamento, as cartas já escritas e enumeradas para serem enviadas com a devida ordem. Deste modo, os seus familiares nunca sentiriam a falta de correio.

Outros, respondendo ao apelo dos pais - come bem meu filho não te deixes emagrecer, vê lá não adoeças - diziam: Qual quê meus pais aqui, felizmente, não há dificuldades, veja bem que hoje o nosso almoço foi bife com batatas fritas (este prato durante 11 meses que permanecemos no Norte, nunca nos passou pela frente). Outros, ainda com a imaginação mais fértil, retiravam os bancos do unimog, colocavam-nos debaixo duma ´árvore florida, convidavam um ou dois "filhos da terra" e "batiam" uma fotografia que enviavam e diziam que estavam num bom e aprazível local que até possuía jardim.
António Carvalho da CCAÇ 1558 a ler o seu correio
Eram estas e outras mentiras análogas que nos deixavam com uma certa sensação de alívio, ao pensarmos, que, com elas, minimizaríamos a angústia vivida pela grande maioria dos nossos familiares.
Se para nós a chegada de uma carta actuava com uma enorme força sobre os nossos espíritos, qual "tónico fortificante", o mesmo se poderia dizer em relação aos entes queridos, na Metrópole, pois eram elas o único elo de ligação que nos unia.
Ao encerrarmos este capítulo, ficámos com a certeza que o abordámos duma forma muito suscinta, mas, ao mesmo tempo, dum modo muito sentido, por sabermos e vivermos a força que uma carta representava para nós. esse simples pedaço de papel que tanta saudade, longínqua, encerrava dentro de si, e cuja mensagem final nos dava aquele ânimo para sobrevivermos até ao desejado dia do desembarque na Metrópole.


ADEUS, ADEUS ATÉ AO MEU REGRESSO
(Para muitos infelizmente não houve regresso)

Texto retirado da Revista "O BATALHÃO" (BCAÇ 1891) nº 0 de 1992



POR: Amadeu Neves da Silva 

Furriel Miliciano da CCAÇ 1558




O dia do correio era sem qualquer dúvida, o mais importante da semana e o que causava mais ansiedade ,alegrias e às vezes tristezas. Quando chegava era, em alvoroço que cada um de nós se refugiava na leitura das cartas e os pensamentos voavam para junto dos entes queridos. Havia ,infelizmente na CCAÇ 1558 muitos analfabetos, e isso reflectia em toda a plenitude o que era o Portugal de então. Esses “coitados” tinham que esperar e partilhar as suas alegrias e confidencias com algum companheiro mais chegado que lhes liam as cartas e escreviam as suas respostas.
Mas, também chegavam más notícias. Recordo o desespero do “Mirandela ” quando no ILE-ERRÊGO um companheiro e seu amigo lhe leu carta onde era anunciado a morte do seu pai.
Felizmente eu, recebi e enviei centenas de cartas. Mas entre elas há algumas que não se me apagam da memória e que as recordo com saudades dos tempos idos.


As primeiras a surpreenderem e a comoverem foram recebidas em NAMARROI. Recebi uma fita gravadora . As mensagens gravadas dos meus pais, irmão , da minha namorada, hoje esposa e de alguns amigos incentivam-me a ter esperança visto que o tempo passaria depressa .Como foram comoventes e de enorme animo as palavras das pessoas que eu amava.
Ainda em NAMARROI, e vindo ao escurecer duma patrulha, foi-me entregue o correio e debaixo do alpendre que servia de refeitório, entre várias cartas , houve uma que me despertou grande curiosidade . Era a primeira carta da minha jovem prima Luísa. Abri-a de imediato .Li e reli-a, e as lágrima soltaram-se. A Luísa no entusiasmo da sua juventude escreveu palavras de muito carinho e de esperança, mas o que foi mais marcante na sua carta foi o anuncio da conclusão do seu Curso Comercial.

O aumento da minha família , nascimento dos meus sobrinhos Jorge e Carla foi-me anunciado quando estava em Nova Coimbra Abril de 1967, e em Nova Viseu Julho de 1968. Esta com a particularidade de ter nascido no mesmo dia que eu ( 14 de Julho ).
Em Nova Coimbra havia um dia da semana que chegava o avião D O , com abastecimentos e o bem aventurado correio. Quando por qualquer motivo o avião se atrasava era normal subirmos à barreira existente e olhava-mos o horizonte em direcção a Vila Cabral. A visão e ao audição estavam estava bem atentos e quando ao longe se vislumbrava o avião era uma festa.
Em Miandica , o ócio, as dificuldades e as carência eram totais. Os pensamentos e as saudades vagueavam por aquele local de má memória .O reabastecimento era realizado em péssimas condições e muito irregular. E por isso as faltas de tabaco e do correio eram as que mais se faziam sentir , o que agravava o nosso estado de espírito.
Mas ,foi lá que recebi e enviei as cartas mais sentidas e profundas e as que mais me marcaram em toda a Comissão.
A 25 de Novembro de 1967 houve as grandes inundações na região de Lisboa . Eu, soube de madrugada pelo Rádio Clube de Moçambique do desastre. Fiquei deveras preocupado e só sosseguei quando soube que nada tinha acontecido aos meus familiares .
Ainda em Miandica, minha prima Maria, com grande dor e em desespero , disse-me na sua carta que tinha perdido o filho que trazia no ventre e que o seu casamento não ia bem. Foi um choque .Eu que na aquele malfadado local estava extremamente fragilizado , consegui reunir força e respondi-lhe com enorme emoção e comoção. Recordo que fui capaz de lhe transmitir ânimo e vontade de forma que ela percebesse que apesar do infortúnio e dificuldades a vida continuava.
No “Mata-Bicho” , de Maio a Julho , três Pelotões da 1558 foram deslocados para Nova Viseu. Aqui ,voltou outro pesadelo da falta de correio acrescido de o “Pré “ não ser pago ,visto que o nosso SPM estava no Alto Molócué a correspondência e o soldo vinha para esta localidade que de seguida era enviada para Vila Cabral onde ficavam retidos , porque não havia ninguém que os reencaminhasse para Nova Viseu. Foi necessário que o Capitão Delgado alugasse às nossas custas um Táxi-Aéreo para se deslocar a Vila Cabral para que a situação se normalizasse.

Já em Nacala e em Luanda enviei cartas para os meus pais e familiares dizendo que estava a bordo d "Vera Cruz" e que muito em breve regressaria para junto deles
 







segunda-feira, 6 de maio de 2019

RESENHA HISTÓRICA--MILITAR DAS CAMPANHAS DE ÁFRICA (1961--1974) DISTRITO DO NIASSA -- MOÇAMBIQUE




1.  CARTA DE SITUAÇÃO REFERIDA A:                                  01 FEVEREIRO 1963 
Em 1 de Fevereiro de 1963, a Região Militar de Moçambique com o seu Quartel-General situado em Lourenço Marques, dividia-se em em três comandos territoriais. O primeiro, com sede em Nampula e a cargo do Comando de Agrupamento nº5, compreendia os distritos administrativos do Niassa, Cabo Delgado, Moçambique e Zambézia; o segundo, com sede na Beira e ainda sem comando constituído, estendia-se para sul até ao rio Save e abrangia os distritos de Tete e de Manica e Sofala ( mais tarde dividido em dois com as sedes na Beira e em Vila Pery); o terceiro, com sede em Lourenço Marques e a cargo do Quartel-General da Região Militar, sendo seu comandante o 2º Comandante da Região , compreendia o território a sul daquele rio e era constituído pelos distritos de Inhambane, Gaza e Lourenço Marques.
Por sua vez, cada comando territorial estava dividido em sectores de batalhão (de guarnição normal ou de reforço) correspondendo, em regra, a um distrito e dispondo de várias subunidades tipo companhia.
Por sua vez, cada comando territorial estava dividido em sectores de batalhão 8de guarnição normal ou de reforço) correspondendo, em regra, a um distrito e dispondo de várias subunidades tipo companhia.
Assim. no Comando territorial do Norte, o distrito do Niassa estava a cargo do BCAÇ. 160 de (reforço à guarnição normal), localizado em Vila Cabral. Sob as suas ordens encontravam-se 1 companhia de caçadores em Vila Cabral, (guarnição normal), com um pelotão des tacado em Macaloge e outro no Cóbué; 1 companhia de caçadores (reforço à guarnição normal), também em Vila Cabral; 1 companhia de caçadores em Maúa; 1 companhia de caçadores (reforço à guarnição normal), em Nova Freixo com um pelotão destacado em Mecanhelas; 1 companhia de caçadores em Marrupa (guarnição normal), com um pelotão destacado em Mecula e outro em Gomba. Esta companhia tinha como unidade mãe, de onde era destacada, o BCAÇ de Nampula.
As companhias e pelotões citados encontravam-se em missão de ocupação , excepto a CCAÇ de Nova Freixo, que além dessa missão tinha ainda a de intervenção à ordem do batalhão.



2.  CARTA DE SITUAÇÃO REFERIDA A:                                  01 de MAIO 1964 
Durante o período de Fevereiro de 1963 a 1 de Maio de 1964, não se verificaram acções de guerrilha no território de Moçambique. Entretanto, em Angola e na Guiné a luta ia aumentando de intensidade. Não é de estranhar, por esse facto, que a primeira prioridade na atribuição de reforços idos da Metrópole fosse dada a estes dois últimos territórios. Todavia, em Moçambique, ia-se processando a chegada de tropas para rendições e até mesmo alguns para reforço.
O distrito do Niassa, foi dividido em dois sectores de batalhão, cujo limite acompanhava, sensivelmente, o rio Lugenda. Neste distrito, além da implementação de um novo comando de batalhão em Nova Freixo, manteve-se o total das unidades já anteriormente existentes, com pequenas alterações. É o caso do abandono do Cóbué e de Gomba - anteriormente ocupados por pelotões destacados - e da transferência para Vila Cabral da companhia de engenharia anteriormente empenhada na construção do aquartelamento de Valadim, onde passou a haver um pelotão de caçadores destacado de Vila Cabral.
Do exposto conclui-se que, de 1 de Fevereiro de 1963 a 1 de Maio de 1964, o efectivo global de Moçambique, em unidades operacionais, aumentou apenas 1 batalhão de caçadores.
As alterações assinaladas - reforço do dispositivo em Cabo Delgado e no Niassa, com sacrifício do sul do Save, - conjugados com a permanência da maior parte da Reserva da Região Militar no Comando Territorial do Norte, denotam já uma preocupação quanto ao que, em futuro próximo, iria ocorrer no Norte do Território
3.  CARTA DE SITUAÇÃO REFERIDA A:                                  01 de OUTUBRO 1964 
No período que decorre desde 1 de Maio até 1 de Outubro de 1964, não há praticamente reforços em meios operacionais, embora as acções de guerrilha já tinha tido início. Assim, nos distritos da Zambézia, Tete, Vila Pery e Beira e em todo o território a sul do rio Save não se verificaram alterações no dispositivo.
No distrito do Niassa , o comando do batalhão, anteriormente em Nova Freixo, desloca-se para Marrupa, e é substituído ali pela companhia anteriormente situada em Entre - os - Rios. a qual deixa, destacado, um pelotão nesta localidade.
As alterações verificadas, no âmbito operacional, embora muito pequenas, como se disse, continuam a traduzir as preocupações quanto ao Norte da Província.

4. DISPOSITIVO OPERACIONAL 
referido a 1 de JULHO 1965
Na data a que se reportam estas cartas, verifica-se j´uma intensificação da actividade e guerrilha.
Entretanto tinham chegado ao Território novas forças, para rendição e reforço.
As alterações ao dispositivo, então verificadas, traduziam-se no reforço dos efectivos no Norte do Território, não só com as novas unidades chegadas, mas também à custa do relativo empobrecimento do dispositivo das zonas do Comando Territorial do Centro, do Comando Territorial do Sul e das áreas não afectadas do Comando Territorial do Norte.
Com a chegada dos Comandos de Agrupamento 23 e 25, a área do Comando Territorial do Norte foi dividida por ambos: Ao Agrupamento 23, foi atribuída a área do distrito de Cabo Delgado, com o comando em Porto Amélia; A Agrupamento 25, a área correspondente aos distritos do Niassa, Moçambique e Zambézia, com o comando em Nampula.
Por sua vez, a área do Comando Territorial do Centro foi atribuída ao Agrupamento 20.
O restante do Comando Territorial do Norte, atribuído ao Agrupamento 25, dispunha no distrito do Niassa, de três subsectores de batalhão: o BCAÇ 598 com o comando em Vila Cabral, a CCAÇde Vila Cabral(guarnição norma) com um pelotão destacado em Macaloge, outro em Valadim e outro em Maniamba, 1 CCAV. em Nova Coimbra, 1 CCAÇ. Em Tenda, com um pelotão destacado em Olivença, 1 CART. em Lucambo, e 1 CCAV. em Vila Cabral, com um pelotão destacado em Mandimba; o BCAÇ 639 com o comando em Marrupa e 1 CART.  igualmente em Marrupa, com um pelotão destacado em Mecula; o terceiro subsector de batalhão, a sul, encontra-se apenas guarnecido por 1 CCAÇ. em Mecanhelas, com um pelotão destacado em Nova Freixo, e o Esquadrão de reconhecimento de Nampula, também em Nova Freixo, com um pelotão destacado em Entre-os-Rios.

6. DISPOSITIVO OPERACIONAL referido a:
11 de OUTUBRO 1965
Após a grande movimentação de forças que precedeu e acompanhou as operações que se iniciaram com a sublevação no Norte do distrito de Cabo Delgado e a oeste do distrito do Niassa, houve profundas alterações ao dispositivo, em particular a norte do rio Zambeze. Na área do, até então, Comando Territorial do Norte é criada a Zona de Intervenção Norte (ZIN) e um sector independente.
A ZIN, com o comando sediado em Nampula, é dividida em três sectores: O SECTOR "A", a cargo do  Comando de Agrupamento 25, que, entretanto se deslocou de Nampula para Vila Cabral: O SECTOR "B", a cargo do Comando de Agrupamento 23 em Porto Amélia, e o SECTOR "C", a cargo do Comando ZIN, por acumulação.
O sector independente correspondente ao distrito da Zambézia e com sede em Mocuba dependia directamente do Comando da Região Militar.
O Comando da ZIN era um comando conjunto, constituído pelo Posto de Comando Avançado da Região Militar e por escalões avançados dos Comandos da Força Aérea e da Marinha. Em 29 de Setembro, seguiam, por via aérea, para Nampula, a fim de assumir o comando da ZIN, o brigadeiro comandante interino da Região, bem como os elementos do QG em Lourenço Marques, que foram constituir o Posto de Comando Avançado.
O distrito do Niassa havia sido reforçado com dois novos batalhões - o Eventual 6 e o Eventual 7 - que, anteriormente, tinham sido organizados e instruídos no Sul do Território. O comando do BCAÇ Eventual nº 6 foi estacionar em Nova Freixo, sendo-lhe atribuída como zona de acção a parte sul da área anteriormente a cargo do batalhão com sede em Marrupa; e o comando do Batalhão Eventual nº7 foi estacionar em Vila Cabral. A zona de acção do batalhão anteriormente ali sediada foi desmembrada de uma faixa ao longo do lago Niassa, a qual foi atribuída ao BCAÇ 598, com o comando em Metangula.
Em resumo, nesta data, os efectivos operacionais eram os seguintes:
No Sector A (Niassa) 4 comandos de batalhão, 15 companhias tipo caçadores, 1 companhia de comandos, o Esquadrão de Reconhecimento de Nampula, 1 bateria de artilharia e 1 companhia de engenharia.

7. DISPOSITIVO OPERACIONAL referido a:
10 de JANEIRO  1966
Na data a que se referem estas datas, mantém-se a estrutura territorial militar constantes das anteriores. Basicamente continuam a existir: a Zona de Intervenção Norte, com os mesmos três sectores; o Sector Independente da Zambézia, correspondente ao distrito com o mesmo nome, a cargo de um batalhão; o Comando Territorial do Centro e o  Comando Territorial do Sul.
Mais uma vez, as alterações fundamentais se processaram na ZIN, onde aumentou o número de batalhões.
Assim, no Sector A da ZIN, a zona a cargo do Batalhão Eventual 7  vê-se despojada de uma faixa do território ao longo do eixo Pauíla-Macaloge, onde é intercalado um outro batalhão, com sede nesta localidade. no conjunto do Sector A verificou-se um acréscimo de mais 1 comando de batalhão e de 3 companhias de caçadores, que vão estacionar nas zonas fronteiriças; Olivença e Pauíla, a norte, e Mecanhelas, a oeste
8. DISPOSITIVO OPERACIONAL referido a:
6 de Junho  1966
No período de 10 de Janeiro até à data da carta em análise, o efectivo das forças do Exército em Moçambique, viu-se aumentado de 3 batalhões de caçadores: um destinado ao Sector "A" (distrito do Niassa), outro em reforço da Zambézia, que passou a contar com dois batalhões, e o terceiro atribuído ao distrito de Tete, onde passaram igualmente a existir 2 batalhões. Todavia, por não ser significativa a alteração neste distrito, apenas se apresentou a carta da situação relativa à ZIN e Zambézia.
Este reforço demonstra uma maior preocupação do Comando com a evolução da situação nestes três distritos: no Niassa, a zona sublevada tendia a alastrar; a Zambézia e Tete, pelas informações recolhidas e pela sua posição geoestratégica pareciam as mais ameaçadas; Cabo Delgado estacionara.
No Sector A mantinha-se o dispositivo nos subsectores do Lago e no de Macaloge; o batalhão de Vila Cabral era libertado da sua parte norte, atribuída a  outro batalhão de caçadores com o comando em Valadim; o BCAÇ Eventual 6 perdia a zona do posto administrativo de Entre-os - Rio, que era absorvida pelo sector C, juntamente com a companhia ali instalada. No conjunto, adensava-se a ocupação com a instalação de novas companhias em Nova Viseu, Massangulo, Malapisia, Revia e Nipepe.

10. DISPOSITIVO OPERACIONAL referido a:
2 de Janeiro  1967
No período de 02 de Janeiro 1967, registaram-se algumas alterações de importância assinalável, sobretudo com a absorção do  sector independente do distrito da Zambézia, que passou a designar-se por Sector "D", com o respectivo comando instalado em Quelimane.
Por sua vez, do Sector "A" foi retirada a área correspondente aos batalhões sediados em Marrupa e Nova Freixo, a qual passou a constituir o Sector "E".
À parte as forças já anteriormente situadas na ZIN, foram agora ocupadas com unidades tipo companhias de caçadores, as seguintes localidades:
No Sector "A"Meponda.
Entretanto, tinham chegado a Moçambique, em datas diferentes, 2 companhias de comandos, que ficaram aquarteladas no Lumbo (Sector "C") (2ª Companhia de Comandos em Maio de 1967)  e Vila Cabral (Sector "A") (4ª companhia de Comandos em Novembro de 1967).
No período que imediatamente antecedeu a data a que se reporta a carga de situação em referência, foi instalada em Nampula um Comando-Chefe Adjunto, escalão avançado do Comando-Chefe que permanecia em Lourenço Marques. Por sua vez o Quartel-General da Região Militar aumentou o volume e importância  do seu Posto de Comando Avançado, em Nampula, que passou a ser predominante. Acabou, assim, o Comando da ZIM (COMZIN).
11. DISPOSITIVO OPERACIONAL referido a:
1 de MAIO de  1967

Da análise destas cartas ressalta um adensamento do dispositivo na parte correspondente aos Sectores  "E" e "C".
No primeiro foi criado mais um subsector(EUA, à custa da divisão da área do batalhão com sede em Marrupa. O novo subsector ficou a cargo de um batalhão, sediado  em Maúa, com 5 companhias aquarteladas em Révia, Namicunde, Muoco, Nipepe e Maúa. O batalhão de Marrupa ficou por sua vez, com uma frente maior na fronteira, por deslocação do seu limite oeste e com uma companhia em Candulo.
Com a divisão, no sentido Norte-Sul, do subsector CNA, anteriormente a cargo do Batalhão de Caçadores de Nampula, é criado um Sector "C" um outro subsector (CRB), que ficou a cargo de um batalhão com o comando em Ribáué e 3 companhias (Entre-os-Rios, Umpuhua e Lalua).
Nos Sectores"B" e "D" manteve-se sensivelmente o mesmo dispositivo. 
13. DISPOSITIVO OPERACIONAL referido a:
4 de DEZEMBRO de  1967
As cartas em referência traduzem bem as preocupações existentes durante o p eríodo que as antecedeu. Estas preocupações consistiam:
Isto traduzia-se na prática, no reforço: do Sector A , com mais um batalhão no Catur, criando-se com ele o subsector ACT, à custa da parte sul do subsector AVC, pertencente ao batalhão com sede em Vila Cabral
Nos dois anos que decorrem de 11 de Outubro de 1965 a 4 de Dezembro de 1967, Moçambique foi reforçada em tropas operacionais, com e comandos de agrupamento, 13 comandos de batalhão e 47 companhias tipo caçadores. Manteve os mesmos meios de artilharia de campanha e de cavalaria de que já dispunha anteriormente, bem como de engenharia e transmissões.
Contava também com 3 companhias de comandos, 1 companhia de cães de guerra, 3 companhias de polícia militar, 2 pelotões de artilharia antiaérea e 2 pelotões de canhões sem recuo.
A localização das unidades era a seguinte:
Sectores e comandos territoriais, com sedes em Vila Cabral, Marrupa, Porto Amélia, Nampula, Quelimane, Tete, Beira e Lourenço Marques;
A localização das unidades no sector A era a seguinte:
- Sectores e comandos territoriais, com sedes em Vila Cabral e Marrupa
- Comandos de batalhão tipo caçadores, Metangula, Macaloge, Valadim, vila Cabral, Catur, Marrupa, Maúa e Nova Freixo.
- Companhias tipo caçadores, em Olivença,Nova Coimbra,Cóbué, Maniamba, Lunho, Pauíla, Cantina Dias, Macaloge, Valadim, Muembe, Nova Viseu, Vila Cabral, Leone, Meponda, Litunde, Massangulo, Malapisia, Marrupa, Nungo, Mecula, Nantuengo, Candulo, América, Metarica, Rapala, Revia, Muoco, Nipepe, Mecanhelas, Belém e Nova Freixo




14. DISPOSITIVO OPERACIONAL referido a:
02 de DEZEMBRO de  1968
Foram poucas as alterações verificadas no período que decorreu desde a última das cartas de situação das últimas cartas de situação analisadas até a data das presentes.
Estas últimas denotam uma maior preocupação pelo aumento da ameaça e da penetração do inimigo, nomeadamente em toda a zona norte do Sector"E" e ni distrito de Tete. No Sector "E" é intercalado um novo comando de batalhão, que se foi instalar em Mecula e que deu origem a um novo subsector (EME). No distrito de Tete foi criado um novo sector -- designado por "F" -- compreendendo quatro subsectores, atribuídos aos batalhões de Tete, Fingoé, Bene e Furancungo, e designados por FTT, FFG, FBN e FFR. 
No Sector "C", os subsectores CER e CNA passam a constituir um único subsector, com a designação CRB. Esta mudança e a transferência para Namialo do antigo BCAÇ de Nampula. agora designado por BCAÇ 15, em substituição dum batalhão de reforço, reflectem a pouca preocupação que o distrito de Moçambique suscitava.
Nesta data, o dispositivo das unidades combatentes era o seguinte:
-- sectores, com os comandos instalados em Vila Cabral, Porto Amélia, Nampula, Quelimane, Marrupa e Tete;
-- dois comandos territoriais (CTC e CTS), com as respectivas sedes na Beira e Lourenço Marques;
Os comandos de Batalhão, em Metangula, Macaloge,Valadim, Vila Cabral, Catur,
Mocímboa do Rovuma, Mueda, Mocímboa da Praia, Montepuez, Mueda, Macomia, Porto Amélia, Ribaué, Namialo, Vila Junqueiro, Mocuba, Mecula, Marrupa, Maúa, Nova Freixo, Fingoé, Bene, Furancungo, Tete, Vila Pery, Beira, Inhambane e Lourenço Marques;


16. DISPOSITIVO OPERACIONAL referido a:
06 de JULHO de  1968
Quanto ao dispositivo, estas cartas revela algumas alterações.
Mantiveram-se, com os limites anteriores, a Zona de Intervenção Norte (ZIN) com os Sectores A, B, C, D e E , o Sector F, o Comando Territorial do Centro (CTC) e o Comando Territorial do Sul (CTS).
O Sector A manteve, em traços gerais, o dispositivo anterior com 5 subsectores de batalhão
18. DISPOSITIVO OPERACIONAL referido a:
31 de MAIO  de  1971
Contida e com sinais de regressão a actividade do inimigo nos distritos do Niassa e de Cabo Delgado,verificou-se, porém, o seu acréscimo na área de Tete
21. DISPOSITIVO OPERACIONAL referido a:
1  de ABRIL de  1974

No que se refere aos orgãos e unidades das forças terrestres, existiam, nesta data, os seguintes:
-- 1 comando de zona de operações em Tete
A):
-- 6 comandos de agrupamentos: em Vila Cabral (Sector "A" , destacando um posto de comando avançado para Marrupa; 
Porto Amélia, (Sector "B")destacando um posto de comando avançado para Mueda;
Mocuba (Sector "D"), 
Tete, Furancungo e Beira (CTC)
-- O Comando Operacional de defesa de Cabora Bassa (CODCB) sediado em Estima.
-- O Comando das Carga Críticas (CCC), não mencionado na carta 32.
-- O Comando Operacional das Forças de Internção (COFI), estacionado em Nampula.
B):
Comandos de batalhão, num total de 31, situados de norte para sul e de oeste para leste, em:
SECTOR "A" Metangula. Macaloge, Valadim, Vila Cabral, Mecula, Marrupa,.
SECTOR "B" 
Mocímboa da Praia, Montepuez, Macomia, Porto Amélia, Mocímboa do Rovuma, Nangade e Mueda.

SECTOR "C" Nova Freixo e Mocuba.
SECTOR "D" Changara, Tete, Caldas Xavier, Fingoé, Mecumbura, Furancungo, Sabondo, Xipera (todos na ZOT); 
 SECTOR "I" Vila Gouveia.
Comando Territorial do Centro (CTC) Vila Paiva de Andrade e Inhaminga
Comando Operacional Forças Especiais (COFI) Chemba e Mungari
Comando Territorial do Sul (CTS) Lourenço Marques
C):
Companhias tipo caçadores, num total de 128, sediadas em:
Sector "A"
Maniamba, Lunho, Nova Coimbra, Olivença, Pauíla, Unango, luatize, Muembe, Nova Viaeu, Valadim, Catur, Lione, Cantina Dias, Malapísia, Massangulo, Candulo,, Chiulézi, Mecula,, Ilha Metarica. Revia, Nanlixa. Marrupa,Maúa,
Sector "B"
Omar, Negomano, Nazembe, Mocímboa do Rovuma, Palma, Pundanhar, Muidine, Nangade, Nancatari (duas), Sagal (duas), Mueda (quatro), Nangololo (duas), Mocímboa da Praia (duas), Antadora, Diaca, Nambude, Balama, Toma de Nairoto, Nairoto, Quitarejo, Mataca, Chai,, Macomia, Bilibiza Muluco, Muaguide, Porto Amélia, Namapa, Mecuburi,


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