CLIKA NO LINK PARA OUVIRES O HINO DO LUNHO
https://www.youtube.com/watch?
A CCAÇ 1558 NO NIASSA
A 10 de Março de 1967, o 1º escalão da CCAÇ 1558, saiu do Ile-Errêgo na Zambézia, com destino à Província do Niassa.
De Machimbombo marchou para Mutuali, seguindo no comboio que chegou ao Catur em 11.
De Machimbombo marchou para Mutuali, seguindo no comboio que chegou ao Catur em 11.
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| 10 de Março de 1967, saída da CCAÇ 1558 do Ile-ERRÊGO |
No
dia seguinte, em coluna auto, seguiu para MEPONDA por VILA CABRAL. Em
13 seguiram em lanchas do COMDEFMARNIASSA com destino a METANGULA e
daqui para NOVA COIMBRA.
À
sua passagem por METANGULA o CMDT da Companhia Capitão Daniel Delgado,
recebe, directivas sobre características e modos de actuação do IN.
Em 15 uma Secção + rendeu em MESSUMBA 1 GC da CCAV. 1506.
Em 17 saiu do ILE-ERRÊGO na ZAMBÈZIA o restante pessoal da CCAÇ 1558.
Em
21 em lanchas da Marinha o restante pessoal da Companhia seguiu para
NOVA COIMBRA, deixando em METANGULA um Pelotão, de reforço à CCS.
22 de MAIO de 1967
A
Companhia a 3 GC iniciou a operação "ARIETE", com a finalidade de fazer
um golpe de mão a um acampamento inimigo referenciado, junto à ponte do
RIO LUNHO.
Depois
de atravessar o Rio para a margem direita, próximo de NOVA COIMBRA, foi
iniciada a marcha em direcção ao objectivo para montante do Rio
Cerca
das 11 horas um cipaio, que ia à frente da coluna, desviou-se, para
beber água num charco a cerca de 2 metros, provocando o rebentamento
duma armadilha que devia estar fortemente reforçada pois provocou as
seguintes baixas: Alf. Sancho, Furriel Moutinho e 12 feridos ligeiros,
entre eles o Cmdt da Companhia. De imediato foi feita uma mensagem VITA,
estabelecendo um cordão de segurança à volta da zona e o tratamento
improvisado dos feridos.
Entretanto
e quando se preparava o terreno para a descida do helicóptero,o 1º Cabo
Manuel Seguro Leão accionou uma mina anti-pessoal ficando gravemente
ferido e falecendo mais tarde em VILA CABRAL
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| 1º Cabo Manuel Leão |
Dado
o grande número de feridos o helicóptero transportou em várias viagens
os feridos para NOVA COIMBRA e depois de recebermos os primeiros
socorros seguiram para VILA CABRAL
O
CMDT do Batalhão Ten.Coronel José Rodrigues da Matta com o Tenente
Médico Manuel Ruas, infelizmente a CCaç 1558 nunca teve médico,
deslocou-se de imediato ao local, e deu ordem à restante força para
regressar a NOVA COIMBRA o que foi feito penosamente pois o pessoal
ficou impressionado com a quantidade de feridos sofridos.
Com vista a contrariar uma possível quebra psicológica do pessoal, o CMDT decidiu reiniciar a operação no dia seguinte.
No
dia seguinte, dia 23, às 8 horas, 2 GC da 1558 e 1 GC da 1560, sob o
comando do Alferes do QP Machado, reiniciaram a operação depois do CMDT
do Batalhão ter estimulado e incitado o pessoal ao cumprimento da missão
como homenagem aos feridos sofridos.
Distinguiram-se
o 1º Cabo Aux. Enfermagem Victor Barbosa dos Santos, o qual, embora
ferido foi incansável no tratamento dos seus camaradas antes de tratar
de si próprio, e o 1º Cabo Pimenta da Cunha, que embora não fosse
enfermeiro, foi incansável a dar injecções, fazer garrotes.pôr pensos
etc
TEXTO de José do Rosário Martins
No
dia 21 de Maio de 1967, quando ao cair da noite fomos informados que no
dia seguinte bem cedo partíamos para uma operação na zona do Lunho.
Como
sempre, durante a noite que antecedia as operações mais melindrosas,
esgotávamos tudo o que era bebível... cerveja, laranjada e até a popular
DOLKA ( leite com chocolate). Sim, porque a ideia dominante que sempre
nos acompanhou, é que havia ir, mas voltar era uma incógnita.
Os
Cipaios que geralmente nos acompanhavam, armazenavam no cantil todo o
vinho que podiam receber. Pelo contrário, nós tentávamos levar o máximo
possível de água nos cantis.
Depois de palmilharmos alguns Kilómetros encontrámos uma fonte, onde os Africano e depois de terem bebido toda o vinho "água de Lisboa" preparavam-se
para se abastecer de água. E aí começaram a rebentar as armadilhas.
Mais de uma dezena de feridos, entre eles o Alf.Sancho (hoje já
falecido) que viria a ser evacuado para a Metrópole.
Quando chamei a atenção aos Africanos que eram os carregadores do
material Rádio, responderam-me que íamos encontrar muita água. E foi a
água a causa maior da nossa desgraça.
De imediato enviei um ZULU para o Comando do Sector a pedir evacuações.
Quando
já dois hélios piravam no sobre nós, eu com o rádio HC dava indicações
aos pilotos onde deviam poisar. Caminhava por uma vereda, ouvi uma voz
atrás de mim: deixa-me passar "Alvalade", era o Cabo Leão, deu dois ou três passos e pisou uma mina anti-pessoal.
Ficou todo queimado da cintura para baixo. Só nos pedia que acabássemos com ele. A sua missão era que com a sua secção fazer a segurança aos helicópeteros. Se não fosse o Leão a pisá-la pela certa teria sido eu.
Depois da evacuação até Nova Coimbra, local onde os feridos esperaram pelas DO que os transportaram até ao hospital de Vila Cabral, o Cabo Leão morreu.
Ficou todo queimado da cintura para baixo. Só nos pedia que acabássemos com ele. A sua missão era que com a sua secção fazer a segurança aos helicópeteros. Se não fosse o Leão a pisá-la pela certa teria sido eu.
Depois da evacuação até Nova Coimbra, local onde os feridos esperaram pelas DO que os transportaram até ao hospital de Vila Cabral, o Cabo Leão morreu.
Quando retirámos e já no quartel, verificámos que com a azáfama do tratamento e evacuação dos feridos, deixámos duas G3 no terreno.
No dia seguinte, aparece no nosso barracão, o Alf.Monteiro (hoje falecido) a pedir voluntários para irem ao local do onde deixámos as armas. Voluntários a regressar ao local onde tínhamos tido 17 feridos e um morto, tudo por causa de minas e armadilhas? Missão quase impossível a do Alf.Monteiro.Depois de muita retórica e algumas piadas a incentivarem-nos lá fomos buscar as armas. Já no local, de cada vez que se dava um passo esperava-se rebentar outra mina. Felizmente que nada aconteceu.
No dia seguinte, aparece no nosso barracão, o Alf.Monteiro (hoje falecido) a pedir voluntários para irem ao local do onde deixámos as armas. Voluntários a regressar ao local onde tínhamos tido 17 feridos e um morto, tudo por causa de minas e armadilhas? Missão quase impossível a do Alf.Monteiro.Depois de muita retórica e algumas piadas a incentivarem-nos lá fomos buscar as armas. Já no local, de cada vez que se dava um passo esperava-se rebentar outra mina. Felizmente que nada aconteceu.
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| Foi muito próximo deste local que se deu o fatídico acidente de guerra em 22 de Maio de 1967 |
Depois
da evacuação dos feridos, de permeio, tivemos no Quartel de Nova
Coimbra, a visita do Comandante do Batalhão Ten Coronel José Rodrigues
Maria da Matta, (hoje já falecido) e a do nosso Capelão.
Deste
episódio ficou-me na memória uma frase dita na homilia pelo sr.Capelão
que passo a citar: DEUS ESTÁ CONNOSCO. Como alguns dias depois retomámos
a mesma operação, vim a confirmar que Deus também estava com os
guerrilheiros da Frelimo.
Mas isso fica para contar mais tarde...
TEXTO de António Carvalho
Eu, como Cabo Enfermeiro, fiz parte do grupo que foi socorrer os acidentados. Vinha eu com a ajuda do Furriel Júlio com um ferido na maca, não me lembro quem era, para o levar para uma clareira onde os helicópteros iriam poisar. O Cabo Leão ia à minha frente com o seu Morteiro e com a
Os helicópteros que nos vieram resgatar tinham muitas dificuldades em aterrar visto que a zona era de mato denso. O Comandante do Helio deu instruções para fazermos a segurança mais à frente. O malogrado Cabo Leão, que transportava as armas vários feridos saiu do carreiro para dar passagem à maca improvisada que me transportava, para ir ao local onde o hélio iria poisar. Para sua infelicidade pisou uma mina anti-pessoal ficando muito mal tratado. Do rebentamento da mina resultaram ferimentos graves ao Cabo Leão e no Furriel Moutinho.
Eu, como Cabo Enfermeiro, fiz parte do grupo que foi socorrer os acidentados. Vinha eu com a ajuda do Furriel Júlio com um ferido na maca, não me lembro quem era, para o levar para uma clareira onde os helicópteros iriam poisar. O Cabo Leão ia à minha frente com o seu Morteiro e com a
minha G3 e a do Júlio. No percurso o Leão rebentou uma mina anti-pessoal.
Assisti
o Leão, como enfermeiro,e as únicas palavras que ouvi da boca dele
foram " Carvalho, a minha mãe bem me disse que não me voltava a ver"
respondi-lhe para o acalmar: tem calma Leão que isto não é nada de
grave. Claro que não era assim pois ele tinha perdido uma perna até um
pouco acima do joelho, parte da carne das nádegas desapareceu e tinha os
testículos pendurados
Dei-lhe duas injecções de morfina e vitamina K, já que estancar as hemorragias era impossível.
Para
embarcar o Leão no helicóptero pedi ajuda a quem estava ao meu lado.
Disse-lhe com brusquidão: car...ajuda aqui. Respondeu-me uma voz meiga e
terna, estou aqui para o ajudar. Ao ouvir aquela voz que só poderia ser
de mulher, caíram-me os "tomates ao chão".
Era uma Enfermeira Paraquedista.
![]() |
| A velha ponte do rio Lunho |
NOTA DO BLOG:
Estas
versões, que ambos os autores foram testemunhas, sobre o mesmo
acontecimento parecem contraditórias entre si . No meu entender que não
estive no local mas sim em Nova Coimbra, são verdadeiras. Quando o
Carvalho diz que transportava juntamente com o Júlio um ferido numa
maca,o Leão ia à sua frente e atrás do Zé Rosário. Daí este ter ouvido o
pedido do Leão para deixá-lo passar. O ferido que o Carvalho diz não se
lembrar era segundo relato da época o Furriel Moutinho que chegou a ser
dado como morto em Nova Coimbra mas que felizmente sobreviveu.
Texto de Jorge Soares
Saímos
do quartel em Nova Coimbra, comandados pelo Capitão Delgado Comandante
da CCAÇ 1558, para mais uma operação de quadrícula. Iam connosco vários
cipaios, homens militarizados que serviam de guias e prestavam apoio às
nossas tropas. Como era hábito deles nos seus cantis onde devia estar
água havia vinho (água de Lisboa). Um deles, já com sede, ao reparar
numa pequena lagoa, foi lá beber água. De volta, em vez de retornar pelo
mesmo caminho, resolveu atalhá-lo para se nos juntar mais à frente. No
trajecto accionou uma armadilha, teve morte imediata. A armadilha foi
accionada entre o Alferes Sancho bastante ferido nas pernas e o soldado
Jorge Soares que ficou ferido em todo o corpo. Outros camaradas num
total de 17, incluindo o Capitão Delgado que comandava a operação foi
ferido na omoplata direita, foram atingidos com mais ou menos gravidade
pelos estilhaços. Apesar de ferido consegui rastejar cerca de 50 metros
até junto ao Borges para ele me socorrer.Os helicópteros que nos vieram resgatar tinham muitas dificuldades em aterrar visto que a zona era de mato denso. O Comandante do Helio deu instruções para fazermos a segurança mais à frente. O malogrado Cabo Leão, que transportava as armas vários feridos saiu do carreiro para dar passagem à maca improvisada que me transportava, para ir ao local onde o hélio iria poisar. Para sua infelicidade pisou uma mina anti-pessoal ficando muito mal tratado. Do rebentamento da mina resultaram ferimentos graves ao Cabo Leão e no Furriel Moutinho.
Na
evacuação para o hospital de Vila Cabral na maca ao lado da minha ia o
Leão, que veria a falecer na sala de operações do hospital. O Alferes
Sancho e o Furriel Moutinho foram evacuados para a Metrópole não
retornando à Companhia.
Este
relato foi prestado por Jorge Soares, soldado da CCAÇ 1558, que foi uma
das muitas vítimas do rebentamento da armadilha que feriu vários
militares.
TEXTO de Vasco Pesado da Silva
Em NOVA COIMBRA foi recebido um Rádio, dizendo que a cerca de 3 Kms, um Pelotão da CCAÇ 1558 tinha caído numa armadilha, que havia muitos feridos e alguns em estado muito grave. Entre os feridos estavam o Capitão Daniel Delgado e o Cabo Enfermeiro Victor Santos.
Éramos poucos no Aquartelamento, mas conseguimos arranjar vários voluntários, para socorrer os nossos camaradas.
Fomos ao seu encontro com macas e panos de tenda para fazer as macas que seriam necessárias.
Em primeiro socorremos os feridos mais graves que eram o Furriel Moutinho e o Alferes Sancho
Estava a colocar uma tala nas pernas do Alferes Sancho. Colocá-mo-lo numa maca. Vinha a dar-lhe soro, até que surge o Cabo Segundo Leão e diz: Furriel dê-me a sua G3, para poder trabalhar melhor e eu faço-lhe a protecção. Percorreu cerca de 5 Metros e um estrondo medonho. Ele tinha pisado uma mina anti-pessoal. Não esqueço o que vi. Ele gritava com dores. Dei-lhe morfina a 1%. Lembro de ele me pedir para tirar as suas botas... Infelizmente ele já não tinha pernas. Com ajuda de alguns camaradas coloquei-o no helicóptero.
Entretanto a minha G3 desapareceu. Por causa desta situação tive problemas disciplinares.
Ainda hoje sofro de stress pós traumático, não só por esta situação mas por outras durante a Comissão.
A Companhia nunca teve médico, era eu que comandava o seu Serviço de Saúde, e em determinada época, o António Carvalho, o Victor Santos (Doutor Kambuta) e o Eduardo Baptista, os 3 Cabos Enfermeiros que a Companhia tinha estavam feridos em VILA CABRAL. Estava sózinho....
Em NOVA COIMBRA foi recebido um Rádio, dizendo que a cerca de 3 Kms, um Pelotão da CCAÇ 1558 tinha caído numa armadilha, que havia muitos feridos e alguns em estado muito grave. Entre os feridos estavam o Capitão Daniel Delgado e o Cabo Enfermeiro Victor Santos.
Éramos poucos no Aquartelamento, mas conseguimos arranjar vários voluntários, para socorrer os nossos camaradas.
Fomos ao seu encontro com macas e panos de tenda para fazer as macas que seriam necessárias.
Em primeiro socorremos os feridos mais graves que eram o Furriel Moutinho e o Alferes Sancho
Estava a colocar uma tala nas pernas do Alferes Sancho. Colocá-mo-lo numa maca. Vinha a dar-lhe soro, até que surge o Cabo Segundo Leão e diz: Furriel dê-me a sua G3, para poder trabalhar melhor e eu faço-lhe a protecção. Percorreu cerca de 5 Metros e um estrondo medonho. Ele tinha pisado uma mina anti-pessoal. Não esqueço o que vi. Ele gritava com dores. Dei-lhe morfina a 1%. Lembro de ele me pedir para tirar as suas botas... Infelizmente ele já não tinha pernas. Com ajuda de alguns camaradas coloquei-o no helicóptero.
Entretanto a minha G3 desapareceu. Por causa desta situação tive problemas disciplinares.
Ainda hoje sofro de stress pós traumático, não só por esta situação mas por outras durante a Comissão.
A Companhia nunca teve médico, era eu que comandava o seu Serviço de Saúde, e em determinada época, o António Carvalho, o Victor Santos (Doutor Kambuta) e o Eduardo Baptista, os 3 Cabos Enfermeiros que a Companhia tinha estavam feridos em VILA CABRAL. Estava sózinho....
No dia 8 de Julho de 1967
A Companhia
a 3 GC iniciou a Operação "LIMPEZA II". Que consistia em nomadizar e
emboscar, durante 4 dias, o vale do RIO LUNHO, desde os MONTES LIJOMBOS
até à sua confluência com o Rio LUNHO. Pouco antes do RIO LUTICHE, foi
avistado um carreiro muito batido, o qual levou a uma enorme machamba
com 22 palhotas. Feito o cerco foram capturadas duas mulheres e uma
criança enquanto se ouviam tiros dados pelo IN em sinal de alarme. O
acampamento foi destruído assim como parte da machamba pois a sua enorme
extensão não permitiu destruí-la totalmente. Neste dia e nos seguintes
foram destruídos vários celeiros cheios de comida.
No
dia 9, cerca das 18h30, as NT instalaram-se próximas das margens do RIO
LUNHO para pernoitarem e emboscar os trilhos existentes, quando foram
flagelados por armas automáticas por um grupo estimado em 8 elementos.
No
dia 10, aos primeiros alvores, foi atravessado o RIO LUNHO, que levava
muita água. Feita um busca ao local onde o In flagelou, foi encontrado o
material exposto na foto em baixo.
![]() |
| Material capturado ao inimigo |
Seguindo
junto à margem direita do rio foram encontradas mais 4 acampamentos de
população, num total de 29 palhotas, que foram destruídas, e bem assim
muita alimentação, material doméstico e uma bicicleta.
As NT regressaram a NOVA COIMBRA no dia 11 sem mais ocorrências.
No dia 4 de Agosto de 1967
O soldado Manuel dos Santos, sentinela do destacamento de MESSUMBA
ouviu
uns ruídos suspeitos numa escola existentes a cerca de 35 mortos do
quartel pelo que deu um tiro de espingarda. Passados segundos os ruídos
repetiram-se, pelo que fez uma rajada naquela direcção. Acto contínuo se
seguiu um forte ataque IN, iniciado com um tiro de LGF, que penetrou
pela por uma janela, atravessando o quarto do Fur. Amadeu Silva, CMDT do
destacamento e deflagrou na caserna do pessoal. Simultaneamente o IN
desencadeou fogo violento de armas automáticas, que incidia sobre a
única saída da palhota para a ocupação de posições. Logo após o
rebentamento da granada do LGF, todo o efectivo do pequeno destacamento (
1 Furriel, 2 Cabos e 10 Soldados) correu de imediato para os abrigos
existentes no exterior, indiferente ao fogo IN , reagindo prontamente
com fogo violento de espingarda, LGF morteiro e granadas de mão. Ao fim
de 5 minutos de combate o IN pôs-se em fuga precipitadamente. O pessoal
manteve-se alerta durante a noite e aos primeiros alvores fez uma batida
ao local, encontrando: 1 Elemento IN morto; 1 espingarda automática; 5
carregadores; 3 fitas de metralhadora; 1 granada de LGF; 8 granadas de
mão defensivas; 47 cartuchos e muitos rastos de sangue, sinal que o IN
sofreu feridos.
|
| O pequeno destacamento em Messumba |
No dia 13 de Setembro de 1967
A
CCAÇ 1558 a 2 GC deu início à operação "ARROMBA" com vista a efectuar,
de colaboração com a FA, um golpe de mão à base inimiga de NAMATUMBA. A
força saiu de NOVA COIMBRA pela estrada de METANGULA, que seguiu durante
2 Kms como medida de decepção, após o que tomou o rumo Norte, em
direcção ao objectivo, subindo a SERRA MESSUMBA. às 20H estava a cerca
de 4 Kms da base onde pernoitou. Às 4H do dia 14 foi reiniciada a marcha
e instalou-se a cerca de 400 metros do objectivo. Entretanto um soldado
que pesquisava um trilho, accionou uma armadilha constituída por uma
granada de mão mas, ao ouvir a percussão da cápsula fulminante,
lançou-se ao chão, pelo que apenas ficou ligeiramente ferido. Momentos
depois 3 aviões T- 6 , que depois referenciarem as posições das nossas
tropas que tinham lançado uma granada de fumos, fez o bombardeamento da
base, após o que ficou um avião no ar a servir de posto de comando
volante (P.V.C). Por indicação deste avião foram sucessivamente
destruídos :
- Acampamento tipo quartel, com 25 palhotas abandonadas
-
Acampamento tipo quartel, com organização defensiva, com 20 palhotas e
cercado de mais 30 palhotas de população precipitadamente abandonados.
- Acampamento tipo quartel com 15 palhotas, também precipitadamente abandonados.
- Muita alimentação.
Durante a busca ao acampamento foi capturado:
1 Mochila; 4 Marmitas; Muitos Cartuchos; 1 Farda e Imensa documentação
As
NT iniciaram o regresso por outro itinerário e, cerca de 20 minutos
depois, foram emboscados por numeroso grupo IN, que foi forçado a
retirar com baixas não controladas devido à imediata reacção das NT. A
chegada a NOVA COIMBRA verificou-se às 16H do dia 14, depois de ser
capturado 1 mulher e 1 criança junto ao antigo acampamento da CENGª
Operação à base dos Macondes
Texto de José R. Martins
| José Martins e o Pereira, os dois à esquerda foram feridos nesta operação |
No dia 22 de Agosto de 1967
Ao
fim da tarde recebemos ordens para nos prepararmos para mais uma
operação a partir de Nova Coimbra, província do Niassa- Moçambique.
Foi-nos
pedido pelo capitão Daniel Delgado, que fizéssemos o mínimo de ruído
possível, já que para o bom êxito da operação seria a surpresa a
principal condição. A primeira etapa , foi o quartel do Lunho, onde
descansámos debaixo de chuva torrencial.Fomos convidados a usar as
casernas militares lá instaladas, que recusámos, pois nas camas os
percevejos eram mais que muitos. Quem escreve esta narração, com os
companheiros:...o Palma, o Constantino e o Paulino, fomos procurar um
local onde nos instalássemos. Quando o achámos lá nos deitamos cada
um, em cima de seis tijolos para a agua que chovia pudesse escorrer por
baixo de nós. Passados que foram cerca de duas ou três horas, foi dado a
ordem para retomarmos a caminhada até ao objectivo. Chegados lá, ainda
escurecia, um dos nativos que fazia parte dos carregadores que
transportavam o material radio, foi chamado ao capitão, para informar
onde estavam as armadilhas que estavam instaladas à volta do
acampamento. Depois de detectadas e desarmadas , esperámos mais algum
tempo para fazer o ataque. Quando começou a clarear o capitão deu
ordens para se formar dois flancos em V e uma secção de assalto,
comandada pelo próprio capitão.
A
ordem de fogo seria:... quando ele lançasse a primeira granada e assim
foi. Eu que estava na linha da secção de assalto, mais três ou quatro
africanos, e quando se dá o rebentamento da primeira granada , começámos
nós a ser fuzilados por muito fogo e alguns rebentamentos. Comecei logo
a ouvir gritos de feridos e dois dos africanos que estavam comigo
também foram feridos. Gritei para que se deitassem por detrás das
árvores e eu já estendido no chão não percebia de onde é que poderia vir
tanto fogo. Levantei a cabeça e rodei o pescoço para o lado
esquerdo,para perceber o fogo.Quando olhei de novo para a frente, senti
uma cacetada na cabeça e pensei ser algum fragmento de pedra ou madeira
projectado pelas balas que silvavam sobre nós. O capitão dá ordem para
cessar o fogo e é quando se ouvem mais pedidos de ajuda dos já
numerosos feridos.Foi o resultado da fuzilaria sobre nós. Quando me
levantei do chão, já o sangue me escorria pelo corpo abaixo.Então ouvi o
capitão sussurrar para o alferes Pontes, o Alvalade está arrumado.
Mas, não estava, ainda fiz a mensagem (Zulu), a pedir a evacuação dos
feridos e fui na ultima leva dos dois helicópteros que nos levaram para o
hospital de Vila Cabral.Ás vezes ainda penso,que tive a sorte talvez,
de se o único soldado na guerra de Moçambique que levou um tiro na
cabeça e voltou vivo para a Metrópole.Mas levei mais de um mês , e ao
acordar durante a noite, a primeira coisa que fazia era desviar a
cabeça para o lado, a tentar-me desviar do tiro.
Da
nossa estadia em Vila Cabral por sermos feridos, um dia fomos
(confrontados eu e o Palma) numa rua de Vila Cabral, com o comandante de
Sector e o seu ajudante, a uma distância razoável, por nós não lhe
batermos a continência nos mandou chamar. O homem alterado faz-nos um
sermão e sempre dizendo, que tinha-mos o direito de conhecer o nosso
comandante de Sector. Ao que nós respondemos...se o senhor andasse por
os locais , onde arranjámos estes ferimentos (mostrei-lhe o penso da
ferida na cabeça) nós de certeza que o conhecíamos. O homem ainda
lamuriou, mas mandou-nos embora. E nessa noite, mesmo ferido comecei a
fazer reforços.Mas quando descobri que não estava na lista de chamada
ao recolher da noite, comecei a baldar-me quando me apetecia e
acabaram-se os reforços. E isto durou mais de um mês, já que o
ferimento deu para arranjar os dentes e tratar de todas as doenças que
inventei.
Passados
alguns meses fomos fazer outra vez a mesma operação à tal base dos
Macondes. Se calhar para confirmar se já estava activa. Já perto do
objectivo o capitão perguntou-nos a mim e ao Palma se valia a pena irmos
ao objectivo, o que nós respondemos que sim. Ficámos com a impressão
que nos estava a pôr à prova já que fomos os dois feridos na anterior
operação, no mesmo local !......
Em 22 de Setembro teve inicio a operação "Caravana I"
![]() |
| Início da operação Caravana I |
Com
a finalidade de reabastecer em géneros, munições e combustíveis o
destacamento de MIANDICA, proceder à rendição da guarnição deste
destacamento e evacuar uma cozinha rodada e a carcaça de um avião DO da
FAP ali existente. As forças intervenientes foram: CCaç 1558 a 2 GC, 2
GC da CCaç 1560; 1 GC da CCaç 1559; e o Pelotão de Reconhecimento
(Sapadores).
![]() |
| Saída de Nova Coimbra |
Todas
as forças seguiram em viaturas pela picada do LUNHO até que, 5 Kms
antes do acampamento da Engª , a 5ª viatura Mercedes accionou uma mina
anti-carro de que resultaram em danos na viatura, um carregador
autóctone morto e 7 feridos das NT.
As
forças pernoitaram no acampamento da Engenharia e no dia seguinte de
madrugada fizeram a travessia do RIO LUNHO num vau preparado pela
Engenharia.
A
marcha da coluna seguia a corta mato, com o Pelotão de Sapadores a
desmatar e fazer pesquisa de minas. A coluna seguia em marcha superior à
prevista quando, às 10h30, foi imperioso atravessar a picada antiga e a
1ª viatura Berliet accionou uma mina anti-pessoal antiga o que lhe
causou ligeiros danos na roda direita e 2 feridos ligeiros às NT.
|
| Rebentamento de uma mina a 11Kms de Miandica |
O
resto do dia foi ocupado no no arranjo da roda da viatura e no dia
seguinte (24) pelas 11h a coluna chegou a MIANDICA sem mais incidentes.
Foi
feito em 2 dias o percurso que se previa para 4, embora tivessem sido
accionadas 2 minas. Para tal facto muito devem ter contribuído as
medidas de segurança e contra informação adoptados, conseguindo
surpreender o IN que costuma mostra-e muito activo naquele itinerário.
Facilitou também a progressão o facto de na véspera do início da
operação, a FAP ter lançado granadas incendiárias para queimar o capim
no percurso.
Em
25, enquanto se fazia a rendição do destacamento e a conferência dos
reabastecimentos, o CMDT das forças enviou 1 GC com a missão de
nomadizar e no final queimar o capim que existia na última parte do
percurso.
Em 26 de madrugada a coluna saíu de MIANDICA com destino a NOVA COIMBRA, onde chegou cerca das 15 horas.
Em 8 de Outubro teve inicio a operação "Caravana II"
![]() |
| Os obuses iam camuflados |
As
bocas de fogo seguiram de VILA CABRAL em viaturas com capotas
dissimuladas de ração de combate. A escolta à coluna era constituída
pela forças executantes do golpe de mão na operação "CARAVANA I ". A
bateria de Artilharia seria transportada até MANIAMBA onde pernoitaria e
seguidamente sairia directamente para o LUNHO a fim de evitar ficar em
NOVA COIMBRA, onde seria possível detectada pelo IN
Finalmente o início do deslocamento de NOVA COIMBRA foi marcado para o dia 10, a fim de o golpe de mão se realizar na madrugada do dia 14,
A coluna com a Artilharia chegou sem novidade a NOVA COIMBRA, donde partiu no dia 10 para o destacamento do LUNHO, escoltada pelo Pelotão de Reconhecimento (Sapadores).
![]() |
| Detectando minas |
Cerca
de 8 Kms depois de NOVA COIMBRA a 1ª viatura accionou uma mina
anti-carro muito reforçado com explosivo de plástico, que destruiu quase
totalmente e provocou às NT 6 feridos, estando entre eles o Cmdt do
Pelotão de Sapadores.
Depois
da evacuação dos feridos as colunas retomaram a marcha em direcção ao
LUNHO. Andados cerca de 500 Metros, a 6ª viatura da coluna desviou-se
ligeiramente do trilho , pelo que accionou uma nova mina anti-carro que
lhe causou graves danos e provocou 11 feridos. Só às 17 H estas forças
conseguiram chegar ao destacamento do LUNHO sem mais incidentes.
No
dia 12, às 5h30, a coluna com 10 viaturas atravessou o RIO LUNHO com
destino a ESTREMOZ-a-NOVA, (Miandica) abrindo uma nova picada a fim de
evitar percorrer a antiga e a aberta na operação "CARAVANA I " que se
presumiam minadas.
![]() |
| A foto é de 22 de Setembro de 1967 |
Conforme
aconteceu na referida Operação seguia à frente o Pelotão de Sapadores ,
seguido de 1 GC, 2 GC como guardas de flanco e 1 GC e a guarnição de
obuses como defesa imediata das viaturas. Os GC pertenciam 2 `CCaç 1558,
e da CCaç 1560 e 1 da CCaç 1559. Comandava as forças o Capitão Daniel
Delgado, Cmdt da CCaç 1558.
A
4Kms do RIO LUNHO um homem da guarda do flanco esquerdo accionou uma
armadilha, de que resultaram 2 feridos ligeiros e 1 ferido grave que
viria a falecer em VILA CABRAL. Os feridos seguiram para ESTREMOZ -a-
NOVA donde foram evacuados num DO que ali aguardava a coluna, que ali
chegou sem mais incidentes.
Às 21 H do dia 13 os
GC partiram para MIANDICA (velha), a fim de ocuparem as posições
previstas na Ordem de Operações que lhes permitiam abordar a base In
pelo lado Norte, que não estava armadilhado, segundo informou o desertor
IN que servia de guia. Das 3H30 às 5h30 decorreu o bombardeamento da
artilharia que terminou às 6 H, hora em que as forças terrestres
ocuparam a Base
![]() |
| O Capitão Delgado junto aos obuses em Miandica |
|
| Os obuses a dispararem |
Procedeu-se
à destruição da Base, que era constituída por 30 palhotas, tinha
organização defensiva e fora precipitadamente abandonada, o que prova
que o IN foi completamente apanhado de surpresa.
Havia documentos com data de 13 de Outubro (dia anterior ao golpe de mão)
|
| Regresso das nossas Tropas junto ao rio Tule |
Em
16 todas as da coluna auto iniciaram o regresso, com cobertura aérea
durante a primeira parte do trajecto. Após 7 Kms de marcha, um soldado
Sapador detectou e levantou uma mina anti-carro reforçada com uma
granada de mão defensiva. As NT chegaram ao LUNHO às 10h30 e a NOVA
COIMBRA às 16H, sem mais incidentes.
O
mês de Outubro de 1967 revelou-se fatídico para a CCAÇ 1558. Em meados
do mês, vítimas de uma armadilha ficaram gravemente feridos e
posteriormente evacuados para a Metrópole o Furriel Avelino Cardoso e o
Soldado Barata. A 31 deste mês igualmente vítima de uma armadilha,
morreu o Furriel Alberto Freitas
Em 21 de Outubro de 1967
A
companhia foi surpreendida em NOVA COIMBRA pelo rebentamento de
granadas de morteiro, seguidos imediatamente de tiros LGF e armas
automáticas. Após a resposta das NT, o IN em grande número foi obrigado a
retirar. Este ataque deve ter sido realizado como represália por ter
sido destruído, recentemente, a Base Central do Niassa.
Em 7 de Novembro de 1967
Saíram de NOVA COIMBRA para o destacamento do LUNHO, 3 GC da CCAÇ 1558 sob o Comando do Cmdt da CCAÇ 1559 ( o Cmdt da CCAÇ estava de licença) a fim de executarem a operação " ALFERES CARTAXO", com a finalidade de explorar uma mulher capturada recentemente que dizia saber o para uma base IN que devia ser a base de CHITEGE. As forças chegaram ao LUNHO sem novidade e no dia seguinte (8)às 4h iniciaram a progressão.
Saíram de NOVA COIMBRA para o destacamento do LUNHO, 3 GC da CCAÇ 1558 sob o Comando do Cmdt da CCAÇ 1559 ( o Cmdt da CCAÇ estava de licença) a fim de executarem a operação " ALFERES CARTAXO", com a finalidade de explorar uma mulher capturada recentemente que dizia saber o para uma base IN que devia ser a base de CHITEGE. As forças chegaram ao LUNHO sem novidade e no dia seguinte (8)às 4h iniciaram a progressão.
Cerca
das 10h foi encontrado um acampamento com 16 palhotas onde havia restos
de comida quentes e que devia ter sido abandonado precipitadamente por
ter passado na altura um avião T-6.
Depois
de revisto e destruído o acampamento as NT reiniciaram a marcha, tendo
atingido o objectivo cerca das 15h30, mas estava abandonado
recentemente. Depois de destruída a base, que era contituída por 20
palhotas e um posto de sentinela, as NT iniciaram o regresso. Durante a
noite foram vistos vários very-lights Na direcção do MONTE CHISSINDO,
sinal de que tínhamos sido detectados.
Em
9, às 04h, foi reiniciado o regresso ao destacamento do LUNHO. Cerca
das 07h30 foi avistado um IN armado. Feito o cerco, foi ferido e
capturado quando tentava fugir, sendo-lhe apreendida uma arma MOSIN
NAGANT e 1 CATANA.
As
NT chegaram ao LUNHO às 10h30, de onde foi feita a evacuação do preso
ferido para VILA CABRAL em helicóptero. O regresso a NOVA COIMBRA
verificou-se no dia seguinte sem mais ocorrências.
Em 22 de Novembro de 1967
A
CCAÇ 1558 a 3 GC, deu início à operação "RAZIA" com a finalidade de
recuperar população e destruír uma machamba na região. As forças
seguiram apeadas para o destacamento do LUNHO e daqui, na madrugada de
24,seguiram para a zona do objectivo onde destruíram 4 palhotas e uma
grande machamba, regressando no fim desse dia ao LUNHO.
Em
25 de manhã iniciaram o regresso a NOVA COIMBRA, picando a estrada do
LUNHO , 10 Kms andados foi detectada e levantada uma mina anti carro.
Recomeçada a marcha e passado um Km foi detectada e levantada nova mina
anti-carro, A chegada a NOVA COIMBRA verificou-se às 13h30 sem mais
ocorrências.
![]() |
| Rendidos em Miandica em direcção ao Lunho |
Em 1 de Dezembro de 1967
Em Miandica continuam os trabalhos de rendição da guarnição pelo GC da CCaç 1558 que para ali tinha seguido em 29 de Setembro.
Em 2 de Dezembro o GC iniciou o regresso em direcção ao destacamento do LUNHO, onde chegou nesse dia e pernoitou,
Em 3 de madrugada saiu pela estrada do LUNHO, apeado tendo chegado a NOVA COIMBRA às 10h sem qualquer ocorrência.
Em 14 de Dezembro de 1967
A
Companhia a 2 GC e um pelotão de milícias, deu início à operação "MÃOS
DADAS" com a finalidade de recuperar população de 2 acampamentos
referenciados por um preso.
As
forças saíram de NOVA COIMBRA pela estrada do LUNHO e cerca de 7 Kms
depois fraccionaram-se em dois grupos a fim de fazerem acções
simultâneas nos dois acampamentos. A acção decorreu normalmente sendo
destruídos dois acampamentos, um dos quais estava abandonado e
capturados 5 homens; 11 mulheres, 8 crianças e 1 espingarda NOSIN
NAGANT.
Em 18 de Outubro de 1967
No
comando do Batalhão, procedia-se ao interrogatório do pessoal capturado
na operação "MÃOS DADAS", tendo-se verificado que um dos homens sabia a
localização duma base de segurança junto ao RIO MEPOCHE.
Foi imediatamente ordenado à CCAÇ 1558 que montasse uma operação a que se deu o nome de "FURRIEL FREITAS"
Em 18 de Dezembro de 1967
A
CCAÇ 1558 a 2 GC deu início à operação " FURRIEL FREITAS" dirigindo-se
pela estrada do LUNHO para o acampamento onde o guia tinha sido
capturado a fim de ele se orientar. Deste acampamento seguiram as forças
em direcção ao RIO MEPOCHE, percorrendo a região durante o resto do dia
e parte do dia seguinte sem nada encontrarem, pelo que se dirigiram ao
destacamento do LUNHO, onde o preso foi novamente interrogado. Declarou
que se perdera mas que agora já era capaz de ir à Base.
|
| Um prisioneiro no aquartelamento do Lunho |
No
dia 21 foi reiniciada a operação mas, quando já se encontrava na zona
do RIO MEPOCHE, o guia declarou que conhecia o caminho mas que não
levava a tropa à base porque tinha medo. Por estes motivo as NT
regressaram a NOVA COIMBRA, onde chegaram em 22 às 08h30 sem nada terem
detectado.
Reiniciada a marcha, foi detectada nova mina colocada a 70 metros à frente da primeira. Como se verificasse que era de um modelo desconhecido, foi accionada voluntariamente pois parecia ter dispositivo anti levantamento.
Entretanto
no Comando do Batalhão prosseguia o interrogatório dos restantes
presos, tendo-se provado que o guia que fora utilizado tinha estado no
acampamento e que tinha um irmão combatente na base de segurança do RIO
MEPOCHE, razão porque não levou lá as NT.
O
preso ficou em NOVA COIMBRA a fim de ser sujeito a intensa acção
psicológica com vista à sua recuperação e ser novamente explorado.
Em 26 de Dezembro de 1967
Na continuação da exploração dos presos feitos durante
a operação " MÃOS DADAS " a CCAÇ 1558 a 2 GC deu início à operação
"RUMO VELHO" a fim de tentar fazer um golpe de mão à base de NAMATUMBA,
onde o preso guia esteve preso (segundo dizia) do IN.
As forças seguiram a estrada do LUNHO e a cerca de 7Kms flectiram para Noroeste a fim de atravessarem o RIO LUNHO.
Durante
cerca de duas horas as NT andaram às voltas do mesmo ponto até que,
cerca das 17h, conseguiram atravessar o LUNHO . Cerca das 24H o guia
disse que a base estava a meia hora de marcha, pelo que foi resolvido
descansar até às 2H . Retomada a marcha, com uma noite muito escura, as
NT caminhavam já durante 3H quando o guia admitiu que se perdera devido à
escuridão mas que de dia dava com a base. Foi resolvido fazer a
aproximação de dia mas andadas poucas centenas de metros surgiu um
acampamento de população que começou aos gritos.
Feito
o cerco foram capturadas trê mulheres e quatro crianças tendo fugido um
homem que não se intimidou com o fogo feito pelas NT.
Feita a busca ao acampamento foi capturado: 1 Sabre; 1 cartucheiras e 3 almotolias.
Enquanto
as NT destruíam o acampamento foram flageladas com tiros de armas
automáticas que se calaram imediatamente quando foi feito um tiro de
morteiro. Por já estarem detectadas as NT regressaram a NOVA COIMBRA ,
onde chegaram a 27 sem mais ocorrências.
Em 10 de Janeiro de 1968
Um
GC da CCaç 1558 iniciou a operação "MACONDE II" a fim de explorar o IN
capturado na operação "ALFERES CARTAXO" e que declarara saber onde
estava a base dos LIJOMBOS
O
GC deslocou-se para o acampamento do LUNHO numa coluna auto que para lá
se dirigia, e às 15h saiu em direcção ao objectivo. A força seguiu em
coluna por um atalho, com o preso guia sob a vigilância dum Cabo, à
retaguarda deste um milícia que servia de intérprete e a seguir o Cmdt
do GC. Após uma hora a corta mato a progressão tornou-se difícil devido
às imensa hora de marcha. Ao atravessarem um pequeno riacho o Cabo que
vigiava o prisioneiro accionou uma armadilha que lhe provocou vários
ferimentos numa perna e na cabeça e atingiu gravemente o milícia nos
olhos.
![]() |
| Mais um ferido a ser evacuado por helicóptero |
O guia nada teve de ferimentos por se encontrar num plano superior , pôs-se em fuga.
As NT iniciaram o regresso ao LUNHO,que foi difícil e demorado devido à densa vegetação. Chegaram sem mais ocorrência às 21h.
Foi pedida directamente a evacuação dos feridos que se registou no dia seguinte à 8h em helicóptero.
Em 12 de Janeiro de 1968
Saiu
de NOVA COIMBRA um GC da CCaç 1558 a fim de realizar a operação
"FLECHA", com a finalidade de explorar novamente o preso que tinha ido
servir de guia na operação "FURRIEL FREITAS", e prometia desta vez levar
as NT ao acampamento IN existente junto ao RIO MEPOCHE.
As
NT seguiram apeadas até ao destacamento do LUNHO, onde passaram a
noite. às 04h do dia 13 saíram em direcção ao RIO MEPOCHE . Após 7h de
marcha foi encontrada uma grande machamba bem tratada que tentaram
contornar a fim de não serem detectadas. tal, pois foi avistado um IN ao
longe a saltar de uma árvore e internar-se na mata. Do alto de um monte
foram avistadas várias machambas e gente a trabalhar. feita a
aproximação de uma das machambas foi montado um cerco, deficiente devido
ao pequeno efectivo, e iniciada uma busca, foi vista uma sentinela que
procuraram capturar sem sucesso.
Quando
procediam à busca numa outra machamba as NT foram flageladas, mas não
responderam para não referenciarem a sua posição. Entretanto é visto um
IN armado em fuga. Meia hora depois é atingido o cume de um monte, onde
foi localizado um acampamento e foram capturados duas granadas de mão
defensivas. No seguimento da operação foram capturadas 2 mulheres e uma
criança.
Uma
hora depois as NT iniciaram o regresso, durante o qual viram mais um IN
em fuga. A chegada ao destacamento do LUNHO verificou-se às 19 h. Em
14, aproveitando uma coluna auto as NT regressaram a NOVA COIMBRA.
Resultados finais da operação:
Capturadaos: 2 mulheres; 1 criança; 2 GMD; 1 catana e um par de botas
Em 6 de Fevereiro de 1968
Um GC da CCAÇ 1558 detectou e levantou uma mina anti-carro na estrada do LUNHO e a 7 Kms de NOVA COIMBRA .
Um GC da CCAÇ 1558 detectou e levantou uma mina anti-carro na estrada do LUNHO e a 7 Kms de NOVA COIMBRA .
Reiniciada a marcha, foi detectada nova mina colocada a 70 metros à frente da primeira. Como se verificasse que era de um modelo desconhecido, foi accionada voluntariamente pois parecia ter dispositivo anti levantamento.
Em 14 de Fevereiro de 1968
No Comando do Batalhão foi recebida a mensagem nº 661/c/68 do QG informando que o 1º escalão devia estar no CATUR em 17 a fim de embarcar em Caminho de Ferro para o Sector D.
No Comando do Batalhão foi recebida a mensagem nº 661/c/68 do QG informando que o 1º escalão devia estar no CATUR em 17 a fim de embarcar em Caminho de Ferro para o Sector D.
foi
dada ordem para NOVA COIMBRA para interromper a operação "CALHAU " que
se desenrolava desde este dia na região da base IN de NAMATUMBA.
Entretanto
não se conseguia não se conseguia entrar em contacto com os 2 GC da
CCAÇ 1558, que estava na operação "CALHAU" a fim de os fazer regressar a
NOVA COIMBRA.
Houve
porém a sorte de inesperadamente aterrar em METANGULA um avião T-6 que
transportava o Cmdt da CCAV 1601 que ia tratar de assuntos operacionais.
Fez-se um RVIS na região do objectivo a fim de ordenar o regresso da
Companhia. Após meia hora de voo e de infrutíferas pesquisas e chamadas
pelo Rádio do avião, foi vista uma coluna de fumo branco que,
sobrevoada, se verificou ser uma granada de fumos lançada pela CCAÇ
1558, que entretanto percebera que o avião andava à sua procura mas não,
conseguiu contacto rádio pois o aparelho de que dispunham estava
avariado devido `chuva que caíra. Por este motivo a ordem para o
regresso foi dada com o braço e só percebida após várias passagens pelo
avião sobre as forças
Foi
graças a esta série de felizes circunstâncias que foi possível que o 1º
escalão do Batalhão embarcasse no dia 15 às 10h15 em lanchas da Marinha
sob o comando do 2º Cmdt do Batalhão, com destino a MEPONDA, donde
seguiu em coluna auto para o CATUR.
Do CATUR seguiram em caminho de ferro, até MUTUALI, os 1º escalões da CCS e da CCAÇ 1559, e até IAPALA os 1º escalões das CCAÇ 1558 e 1560 que se destinavam respectivamente ao ALTO MOLÓCUÉ e GILÉ.
Do CATUR seguiram em caminho de ferro, até MUTUALI, os 1º escalões da CCS e da CCAÇ 1559, e até IAPALA os 1º escalões das CCAÇ 1558 e 1560 que se destinavam respectivamente ao ALTO MOLÓCUÉ e GILÉ.
Em 24 de Fevereiro de 1968
A
CARTª 2324 saiu de METANGULA apeada para NOVA COIMBRA onde chegou às 11
h. às 11h30 chegou a METANGULA um GC da CARTª 2325 que se destinava a
seguir para MIANDICA.
às
16 h este GC seguiu para NOVA COIMBRA , donde partiu em 25 juntamente
com uma Secção da CCAÇ 1558 com destino a MIANDICA, onde chegou sem
qualquer sem qualquer incidente. Passado pouco tempo (às 17H) um
numeroso grupo IN calculado em 50 elementos desencadeou um forte ataque
ao destacamento, com morteiros 82 M/M e armas automáticas. As primeiras
granadas de morteiro caíram dentro do recinto do destacamento.
![]() |
| O António Fernandes da CCAÇ 1558, O último soldado português a morrer em Miandica |
Gerou-se
uma certa desorientação no pessoal novo acabado de chegar, Logo nos
primeiros momentos, quando corria para a sua posição de tiro, o soldado
ANTÓNIO FERNANDES da CCAÇ 1558 foi atingido com um estilhaço de granada
na cabeça, continuando a correr até ao abrigo, onde caiu, falecendo
poucos minutos depois.
Este
ataque devia estar de antemão preparado para ser feito após a chegada
do pessoal de rendição. Por tal presunção ordenou-se à CCAÇ 1558 que
tentasse investigar durante os trabalhos de rendição. Das investigações
feitas resultaram a prisão dum autóctone ( de alcunha ALICATE) que
servia de guia. Depois de muito instado confessou ter ligação com um
elemento da população do aldeamento de NOVA COIMBRA que era informador
do IN e que também foi detido.
O
CMDT da CCAÇ 1558 após ouvir o relato do sucedido em MIANDICA concluiu
que teria sido usado pela primeira vez no Sector um canhão sem recuo
O meu relato do último ataque a Miandica
Por: José do Rosário Martins
Por: José do Rosário Martins
Corria
o mês de Fevereiro de 1968, um domingo antes do Carnaval, quem escreve
estas linhas lia o livro, de título “ Sob o nevoeiro” enviado pelo
Movimento Nacional Feminino, sentado no posto de vigia a noroeste do
destacamento, quando vejo aparecer um branco de camuflado, com a G3,
arrojada pela terra, e muito cansado. Grito-lhe, não dás nem mais um
passo… e porquê esta minha atitude… ( nas vésperas tínhamos recebido
informação dum golpe de mão perpetrado por brancos num destacamento
contra nós na zona de Cabo Delgado, O sujeito bem berrou que era do
pelotão que nos vinha render,,, começaram a chegar mais militares e
pouco depois começou um forte de bombardeamento, por uma arma nunca
usada contra nós naquela zona, o canhão sem recuo. Depois, sofremos a
última baixa em combate, o soldado Fernandes.
Nota
final: passados dois meses Miandica foi abandonada parece que sem honra
nem glória. Ao que me contaram em Vila Cabral, quando com quase 26
meses de Moçambique fomos chamados de novo a intervir na zona de
operações na região de Nova Viseu !
O que vi no último ataque a Miandica
Por: António Carvalho
Fiz parte do último grupo da Companhia Caçadores 1558 que foi destacado para Miandica.
Não
vale a pena descrever as más condições, a todos os níveis, que lá
passámos nos 3 meses que durava o destacamento, pois isso é do
conhecimento de uma grande parte dos ex-militares que compunham o
Batalhão de Caçadores 1891. Desde a falta de comida, correio, por vezes
munições e tabaco, que foi muitas vezes a nossa única companhia.
Mas vou descrever um episódio, o último naquele lugar longe de tudo.
No
dia 25 de Fevereiro de 1968, estava para chegar o novo grupo de combate
que nos ia substituir, para podermos regressar a Nova Coimbra já que o
nosso tempo de comissão estava a terminar.
Antes
da chegada, combinado com todos os elementos, o alferes Quintas, que
substituiu o alferes Sancho por ter sido ferido em combate, resolveu
pregar uma partida aos “Checas”, trocando todos os postos, tendo ele
passado a soldado e cabendo a mim o galão de alferes.
| Todos tinham as divisas trocadas para confundir os chekas |
Quando
chegaram os novos, depois de termos recebido as instruções para o novo
desempenho de funções, dirigi-me ao graduado que comandava os “Checas” e
apresentei-me como sendo o alferes Quintas.
Depois de uma curta conversa, comecei a mostrar as instalações, que eram fáceis de visitar, pois quase nada havia.
Andei
por cima da barreira que nos protegia, com o já citado novo comandante,
explicando-lhe quais as zonas consideradas mais perigosas e de
possíveis ataques.
Passado
algum tempo e conforme já previamente combinado, separei-me por uns
momentos do meu interlocutor e rapidamente voltámos aos respectivos
postos, coloquei os meus óculos escuros, graduados, para não ser
facilmente reconhecido e então o verdadeiro alferes Quintas tomou o seu
posto e foi ter com o seu homologo, contando-lhe a brincadeira a que
tinha sido submetido.
Eu
fui ter com o meu colega enfermeiro que me ia render e entabulei então a
conversa normal de mais velho para mais novo, dizendo-lhe que a zona
era perigosa, sujeita a ataques, que ainda não tínhamos tido nenhum por
sorte, e que a vida ali era muito dura.
Recebi
como resposta “isso é conversa de velhos para nos meterem medo, pois em
Nova Coimbra disseram-nos que havia muitas minas pelo caminho e nada
nos aconteceu” .
Cerca
das 16.50 horas, quase mal tínhamos acabado esta conversa, sofremos sim
um ataque, como penso ainda não se tinha registado por ali, a partir do
mato junto à pista de aterragem, com morteiros, bazucas e canhão sem
recuo.
Com
a surpresa e porque os novos, segundo penso que foi essa a informação
que eles me transmitiram, tinham chegado directamente da metrópole, não
tendo qualquer experiencia de guerra, muitos, tiveram como reacção
deitarem-se no chão não crendo no que lhes estava a acontecer.
Coube-nos
a nós, velhos, rechaçar o ataque, e não me esqueço daquele acto do
nosso colega, que não me lembro o nome mas a alcunha “França” que saltou
para cima da barreira de protecção e a descoberto, com raiva
descarregou os carregadores da G3 para a zona de onde provinha o ataque.
Mas,
infelizmente a primeira granada que é disparada pelo inimigo cai dentro
do acampamento e mata o meu grande amigo Fernandes, que era o padeiro e
que ao sentir o ataque desloca-se á barraca que nos servia de abrigo,
buscar a G3 e quando ia para a barreira foi atingido, ficando com a
cabeça quase desfeita, (o Fernandes está na foto anexa a almoçar e com
uma caneca na mão.
![]() |
| O Fernandes com a caneca na mão, dias antes de morrer |
Mas
o pior estava para acontecer, como o ataque tinha sido perto das 17
horas, e o inimigo também sabia, a aviação já não nos podia socorrer,
embora tenha sido pedida a evacuação via rádio, ainda a 25 de Fevereiro.
No dia 26 de manhã, apareceu o helicóptero para fazer a evacuação, só que não havia feridos, mas um morto.
O
alferes Quintas recebeu como resposta que não evacuavam mortos e que
teríamos de o enterrar no mato em Miandica, tendo o mesmo dito que isso
não faria, mas o carregaríamos mais de 40 km a corta mato, às costas, até Nova Coimbra, já que íamos regressar no dia seguinte aquele quartel para regressarmos a Portugal.
O comandante da aeronave, penso que tocado no coração, resolveu levar, contra todas as ordens, o corpo para Nova Coimbra.
Em 5 de Março de 1968
Os 2º escalões do Batalhão saíram de METANGULA para MEPONDA em lanchas da Marinha sob o Comando do CMDT do Batalhão.
No dia 7 a CCAÇ 1558 saiu do CATUR e pernoitou em
NOVA FREIXO
No dia 8 chegaram finalmente ao ALTO MOLÓCUÉ cerca das 19 h.
Em 11 de Maio de 1968
Às 06 h a CCAÇ 1558 a 3 GC saiu do ALTO MOLÓCUÉ com destino a VILA CABRAL e daqui para NOVA VISEU.
Referência: Directivas HC e HC 18 do COM.SEC.A
1- Acção - Intervenção no Sector A em cumprimento das directivas em referência.-8
Este frontispício do processo encontra-se assinado pelo Cmdt. de Sector,Brigadeiro Abel Barroso Hipólito.
Neste documento o Chefe da Repartição escreveu:
No período da acção da CCAÇ 1558, entre Junho e Julho de 1968 na região de Nova Viseu, foram destruídos 25 acampamentos com 320 palhotas, onde foram capturados 9 homens, 30 mulheres 3 37 crianças.
Foram apreendidas 5 armas e 5 granadas.
Neste documento o Chefe da Repartição escreveu:
No período da acção da CCAÇ 1558, entre Junho e Julho de 1968 na região de Nova Viseu, foram destruídos 25 acampamentos com 320 palhotas, onde foram capturados 9 homens, 30 mulheres 3 37 crianças.
Foram apreendidas 5 armas e 5 granadas.
2- Descrição da acção : Deslocaçãopara Nova Viseu
A
11 de Maio de 1968, a CCAÇ 1558 a 3 GC. saiu do Alto Molócué às 06h00,
com destino a Iapala, de onde sairiam em comboio para o Catur, donde
partiria em coluna auto para Vila Cabral.
Em representação do Comandante do Batalhão deslocou-se a Iapala o Oficial INF/OP, o qual assistiu à partida da CCAÇ 1558 e teve a oportunidade de observar a boa disposição e espírito de disciplina e de missão que todo o pessoal da companhia partiu para aa Intervenção, embora já tivesse terminado os dois anos de Comissão.
A CCAÇ 1558 partiu de Vila Cabral pelas 15 Horas do dia 25 de Maio de 1968 em 10 Berliets da Companhia de Transportes nº 1577.Por volta das 16 horas foi necessário fazer um alto para socorrer o Soldado Baltazar da Costa Esteves,que ficara ligeiramente ferido nas mãos e no queixo em consequência do rebentamento dum detonador. Foram consumidos três pensos individuais no seu tratamento e um GCOMB,em três viaturas,regressou a Vila Cabral levando o ferido,enquanto o restante pe ssoal continuava a viagem,chegando a MUEMBE pelas 18horas.O GCOMB acabou por chegar a essa localidade pelas 20h30 e aí se pernoitou.Choveu toda a noite e, no dia seguinte,pelas 06h00,quando se iniciou a viagem ainda chovia,mas com mais ou menos dificuldade conseguiu-se chegar a CHICONONO,pelas 10h00.
Em representação do Comandante do Batalhão deslocou-se a Iapala o Oficial INF/OP, o qual assistiu à partida da CCAÇ 1558 e teve a oportunidade de observar a boa disposição e espírito de disciplina e de missão que todo o pessoal da companhia partiu para aa Intervenção, embora já tivesse terminado os dois anos de Comissão.
A CCAÇ 1558 partiu de Vila Cabral pelas 15 Horas do dia 25 de Maio de 1968 em 10 Berliets da Companhia de Transportes nº 1577.Por volta das 16 horas foi necessário fazer um alto para socorrer o Soldado Baltazar da Costa Esteves,que ficara ligeiramente ferido nas mãos e no queixo em consequência do rebentamento dum detonador. Foram consumidos três pensos individuais no seu tratamento e um GCOMB,em três viaturas,regressou a Vila Cabral levando o ferido,enquanto o restante pe ssoal continuava a viagem,chegando a MUEMBE pelas 18horas.O GCOMB acabou por chegar a essa localidade pelas 20h30 e aí se pernoitou.Choveu toda a noite e, no dia seguinte,pelas 06h00,quando se iniciou a viagem ainda chovia,mas com mais ou menos dificuldade conseguiu-se chegar a CHICONONO,pelas 10h00.
| Vista geral de CHICONONO |
A
10 Kms além de Chiconono avaria-se uma Berliet que é preciso deixar
ficar e já que a estrada estava impraticável devido à chuva que
continuava a cair e já que os arros tinham grandes dificuldades em
vencer as inúmeras rampas do trajecto,resolvi regressar a Chiconono e
aguardar que a chuva parasse e o terreno secasse.Pelo que eu sabia da
picada de NOVA VISEU,seria asneira continuar.
Na verdade,como se tratava de uma chuvada extemporânea,deixou de chover durante a noite e no dia seguinte fez sol.No dia 28 pelas 06.00H reiniciei o percurso,com o terreno mais seco,e chegou-se à ultima ponte antes da picada,onde a nona viatura ia caindo,devido a ter-se partido uma das longarinas da ponte.Ao cabo de 2 horas conseguiu-se tirar a viatura não sem primeiro se ter partido o guincho da berliet MG 16-13,enquanto puxava a primeira.Pelos ruídos consegui saber que a coluna para Valadim estava empanada na primeira ponte a seguir à picada de decidi prestar-lhes auxílio. Chegado ao local verifiquei que só por milagre a berliet não tinha caído da ponte.
Pelas 14H conseguiu-se recolocar a viatura sobre a pontem mas durante esta operação partiu-se o gancho da berliet MG 12-67, a mesma viatura que ao patir-se a ponte anterior, entortara a tampa da jante que tapa as polies.
A coluna de Valadim seguiu o seu caminho e partimos para Nova Viseu. A picada está semeada de troncos de árvores e num deles ressaltou a berliet MG 23-73, batendo num ramo com o pára-brisas resultando ficarem os vidros partidos.
O resto da viagem fez-se sem incidentes tendo chegado ao destino pelas 19H. De 29 a 31 de Maio procedeu-se à instalação de pessoal e aos preparativos para a primeira operação.
Em NovaViseu a Companhia fica instalada em tendas de campanha ,apesar de dentro do aquartelamento da CART 2374.Durante o período de permanência nessa região efectua contínuas Operações durante as quais capturou 5 armas,munições e recuperou muita população causando várias baixas ao inimigo e destruindo ainda muitos acampamentos, machambas e utensílios vários.
Na verdade,como se tratava de uma chuvada extemporânea,deixou de chover durante a noite e no dia seguinte fez sol.No dia 28 pelas 06.00H reiniciei o percurso,com o terreno mais seco,e chegou-se à ultima ponte antes da picada,onde a nona viatura ia caindo,devido a ter-se partido uma das longarinas da ponte.Ao cabo de 2 horas conseguiu-se tirar a viatura não sem primeiro se ter partido o guincho da berliet MG 16-13,enquanto puxava a primeira.Pelos ruídos consegui saber que a coluna para Valadim estava empanada na primeira ponte a seguir à picada de decidi prestar-lhes auxílio. Chegado ao local verifiquei que só por milagre a berliet não tinha caído da ponte.
Pelas 14H conseguiu-se recolocar a viatura sobre a pontem mas durante esta operação partiu-se o gancho da berliet MG 12-67, a mesma viatura que ao patir-se a ponte anterior, entortara a tampa da jante que tapa as polies.
A coluna de Valadim seguiu o seu caminho e partimos para Nova Viseu. A picada está semeada de troncos de árvores e num deles ressaltou a berliet MG 23-73, batendo num ramo com o pára-brisas resultando ficarem os vidros partidos.
O resto da viagem fez-se sem incidentes tendo chegado ao destino pelas 19H. De 29 a 31 de Maio procedeu-se à instalação de pessoal e aos preparativos para a primeira operação.
Em NovaViseu a Companhia fica instalada em tendas de campanha ,apesar de dentro do aquartelamento da CART 2374.Durante o período de permanência nessa região efectua contínuas Operações durante as quais capturou 5 armas,munições e recuperou muita população causando várias baixas ao inimigo e destruindo ainda muitos acampamentos, machambas e utensílios vários.
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| Carvalho junto algumas das armas capturadas em Nova Viseu. |
Operações da CCAÇ 1558 em Nova Viseu
Junho de 1968 -------- Julho de 1968
Junho de 1968 -------- Julho de 1968
01 a 02 Op. "CHACAL " 01 a 02 Op. "JASMIN"
03 a 04 Op. "CANÁRIO" 03 a 04 Op."Orquídea"
05 a 07 Op. "TÁGIDES" 05 a 07 Op. "Tulipa Negra"
08 a 11 Op. Musa Ardente 08 a 10 OP. "5 Terroristas"
12 a 15 Op. "LUA CHEIA" 11 a 14 Op. "PRIMAVERA"
16 a 17 Op. "MARIPOSA" 15 a 17 Op. "Sol Poente"
17 a 18 Op. "CUPIDO" 18 a 20 Op. " Fúria"
19 a 20 Op. "ASCENSÃO"
O Comandante da CCAÇ 1558
03 a 04 Op. "CANÁRIO" 03 a 04 Op."Orquídea"
05 a 07 Op. "TÁGIDES" 05 a 07 Op. "Tulipa Negra"
08 a 11 Op. Musa Ardente 08 a 10 OP. "5 Terroristas"
12 a 15 Op. "LUA CHEIA" 11 a 14 Op. "PRIMAVERA"
16 a 17 Op. "MARIPOSA" 15 a 17 Op. "Sol Poente"
17 a 18 Op. "CUPIDO" 18 a 20 Op. " Fúria"
19 a 20 Op. "ASCENSÃO"
Finalmente,de
salientar a maneira disciplinada,dinâmica e eficiente como todo o
pessoal da CCAÇ 1558,cumpriu a missão que lhe foi atribuída,apesar de a
ter iniciado já com 25 meses de Comissão,12 dos quais passados no
inferno de Nova Coimbra,revelando em alto grau um espírito de sacrifício
de corpo e de Missão dignos de louvor,designadamente o
recebido pelos Cmdt.do Batalhão,como pelo Comt.do SECTOR "A" e até pelo
General Cmdt.da Região Militar de Moçambique.
O Comandante da CCAÇ 1558
Daniel Pereira Delgado
Cap. Milº de Infantaria







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