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Livros da guerra colonial

Miandica terra do outro mundo


domingo, 21 de junho de 2026

AS PRIMEIRAS COMPANHIAS EM NOVA COIMBRA (MEVCHUMUA).- LUNHO E MIANDICA DE 1964 1967.

AS PRIMEIRAS COMPANHIAS EM NOVA COIMBRA (MEVCHUMUA).- LUNHO E MIANDICA DE 1964 1967.

TERRAS MÍTICAS  NA GUERRA DO ULTRAMAR EM MOÇAMBIQUE NO DISTRITO DO NIASSA
A DISTANCIA ENTRE ELAS ERA DE SENSIVELMENTE DE 40 KMS.
FOI LÁ QUE MORRERAM EM COMBATE VÁRIAS DEZENAS DE JOVENS SOLDADOS PORTUGUESES. 
FOI LÁ QUE O CAP. CAÇORINO DIAS DA CCAV. 754 FICOU  CEGO
FOI LÁ QUE O CAP. DUARTE PAMPLONA DA CCAV. 1505 FICOU AMPUTADO DAS DUAS PERNAS.
FOI LÁ QUE O CAP. HORÁCIO VALENTE DA 4ª CCMDS MORREU EM COMBATE.
FOI LÁ QUE O TEN. CARVALHO ARAÚJO DA CCS do BCAÇ 598 MORREU EM COMBATE

Companhia Cavalaria 568 do Batalhão de Cavalaria 571


Comandada pelo Capitão de Cavalaria, José Miguel de Cabedo e Vasconcelos, desembarcou na Beira, a 27 de Outubro de 1963, sendo retirada temporariamente ao BCAV571.                                                  

Em Janeiro de 1965, aquartelou em Congerenge, sob o comando de BCAÇ 598.                         

  Em Agosto de 1965, foi transferida para Nova Coimbra no Niassa, manteve a subordinação operacional BCAÇ 598, que em Setembro de 1965, foi deslocado de Vila Cabral para Metangula, assumindo a responsabilidade do novo subsector (criado à custa do subsector de Vila Cabral). Destacou um pelotão para Mandimba.                                                                           

Efectuou patrulhamentos e nomadização nas regiões de Messumba, Massange, Mechequene, Tandamula e Liponda.                                                                                                                 

 Participou em várias operações designadamente: “Tilapa” nas margens do Rio  Mepotxe e  “Campango”, na regiãode Ambuzi –Ndalala. Em Novembro de 1965 regressou ao Ile-Errêgo na Zambézia.

A 22 de Outubro de 1965, morreu em combate na Missão Católica de Nova Coimbra  Humberto Galvão Bacelar 1º Cabo Cripto da CCAV. 568

Elementos da Companhia Cavalaria 568.

 


CCS. Batalhão de CAÇADORES 598

Por: Eduardo Nunes

 

Comandado pelo Tenente Coronel de Infantaria, Joaquim Correia Ventura Lopes, embarcou com destino a Moçambique a 10 de Outubro de 1963.

Em Novembro de 1963 A ZA ( ZONA de ACÇÃO) do BATALHÃO compreendia todo o Distrito do NIASSA, dependendo operacionalmente dele, além da CCS, 5 companhias operacionais que estendiam a sua acção através das Administrações de MECULA, MARRUPA, MAUA, NOVA FREIXO,MANDIMBA, MECANHELAS, VILA CABRAL, MACALOGE, VALADIM, MANIAMBA,METANGULA, CÓBUÉ e OLIVENÇA.

 Nos primeiros meses da nossa estadia naquele Distrito efectuaram-se vários reconhecimentos e patrulhamentos, para o conhecimento do terreno da sua ZA, e contactar os núcleos populacionais existentes,

O ambiente nesta ZA, foi-se tornando cada vez menos favorável até que em 26 de Setembro de 1964 se registou o primeiro ataque, por elementos armados, em CÓBUÉ, sobre a lancha da Marinha ali ancorada.

Face a este acontecimento, e outros rumores que se ouviam. Resolve o Comandante do Batalhão, pôr em prática um conjunto de medidas, que pudessem enfrentar o inimigo em futuros ataques às nossas tropas estacionada na ZA.

Algures entre  Nova Coimbra e Maniamba. Posto de abastecimento auto.

Tendo para o efeito reunido todo o pessoal operacional, e determinado a sua deslocação de VILA CABRAL, para o CÓBUÉ, onde tiveram início manobras militares, afim de vasculharem todo o terreno, passando MIANDICA, LUNHO, NOVA COIMBRA, toda a  zona compreendida entre METANGULA, MANIAMBA,EPONDA até ao ponte de partida VILA CABRAL.

A 23 de Novembro de 1964, em pleno exercício, aconteceu o que ninguém esperava. Na ZA triangular entre NOVA COIMBRA-METANGULA-MANIAMBA ocorreu um brutal acidente de viação com o capotamento de um Unimog, causando a morte imediata a um militar, conforme imagem em baixo.

Picada Nova Coimbra - Metangula. Mais um acidente, mais um morto. Nova Coimbra

Este foi um dos negros dias do BCAÇ 598, durante a comissão de serviço em Moçambique de 1963 a 1966

Acampamento no LUNHO

Ano de 1965, em Janeiro, De VILA CABRAL, se deslocou, o Pelotão de Sapadores, foi o primeiro, que no rio LUNHO acampou. Junto da velha ponte que já existia, com tendas de  campanha, seu quartel montou. Durante três meses muito choveu Do capim se fez colchão. Dores no corpo se fazia sentir, da dureza daquele chão. Para a ponte continuar a reconstruir, era essa a nossa missão. Sem ferramentas, e o tempo não o permitir. Para o não fazer tinha-mos razão.

A velha ponte do Lunho

   Também um forno se construiu, para coser o pão.. Era eu o padeiro, encarregado dessa missão,, Todos os dias se cosia, não faltava na hora das refeições. Durante três meses foi assim. A ponte como a encontrámos, quando fomos embora, na mesma a deixámos.

Pelo Inimigo éramos observados, tínhamos pouca segurança.

Estávamos aa ser cercados. Sem saber qual o dia da mudança. Esse dia chegou, para VILA CABRA se marchou com o LUNHO na lembrança.

31 de Maio de 1965.Na tarde triste daquele dia sangrento. O pessoal operacional do BCAÇ 598, do qual eu fazia parte, encontrava-se estacionado em NOVA COIMBRA.

Foi-nos solicitado para socorrer um pelotão da CCAV 754 (SETE DE ESPADAS). Que acompanhava o Comandante do referido Batalhão, durante uma visita que efectuava à CART. 637que estava acampada em MIANDICA.

Hora do Rancho em Miandica

No regresso, e já próximo do Rio LUNHO, sofreram uma emboscada por elementosarmados da FRELIMO, Em NOVA COIMBRA, foi recebido o pedido de socorro e de imediato partiu daqui para o local do trágico ataque. Um Unimog, quando se preparava para arrancar, num momento de silêncio um tiro se ouviu. Olhei e vi, um camarada meu de Nome Vasconcelos, que momentos antes, tinha subido para o Unimog tendo ficado de pé encostado ao separador que divide a cabine da carroceria, com o da arma na posição vertical encostado à cintura, cair para o chão. A sangrar de um ferimento por uma bala disparada pela sua própria arma.

Socorrido de omediato para a Base da Marinha em Metangula, onde chegou sem vida.

Eu e o restante pessoal seguimos para o local da emboscada, onde encontrámos seis mortos, cujos corpos estavam desfeitos em pedaços por todo o lado.

Horror, todos pertenciam à martirizada CCAV. 754.

A referida companhia já estava nessa altura acampada em NOVA COIMBRA, onde continuou at´r Fevereiro de 1966, data em que a CCS do BCAÇ 598 foi rendida em METANGULA.

A 31 de Maio de 1965, morreu em combate um militar da CCS do BCAÇ 598
A ....... de Junho de 1965 morreu em combate o Tenente Carvalho Araújo da CCS do BCAÇ 598 

COMPANHIA DE CAÇADORES 612


Comandada pelo Capitão de Infantaria Luís Augusto Tavares Soares da Cunha.

Desembarcou em 21 de Janeiro de 1964.

Foi colocada em Vila Cabral (Lichinga), sob o comando operacional do BCAÇ 598, ali sediado.

De Julho de 1964 a Fevereiro de 1965, guarneceu Mandimba com uma Secção.


A actividade operacional da Companhia, consistia em treino operacional e contacto com a população em acção educativa e medicamentosa.

Ocorrendo em 24 de Setembro de 1964, a primeira acção da FRELIMO, na região do Lago  Niassa, com o ataque aos postos administrativos de Metangula e Cóbué.

Zonas.

Em Dezembro de 1964, destacou uma Secção para Olivença, onde decorrido pouco tempo, devido ao agravamento da situação.passou para um pelotão.

Em finais de  Outubro de 1965 foi rendido pela CCAÇ 73.

Reforçada com um pelotão de Fuzileiros. Intensificou a actividade operacional na zonas de Cóbué, Chitege,NGombe, Lipotxe e Olivença.

A acção da actividade operacional resultou a destruição na destruição de três acampamentos em Chitege e Mapuda e a recuperação de cerca de 200 pessoas que se encontravam refugiadas nas matas.

Tomou parte na operação”Jacaré Filho” na região de Chigoma junto ao Lago Niassa.

A partir de Setembro de 1965, ficou sob o comando de BCAÇ EV 7, que rendeu o BCAÇ 598 que tinha sido transferido para Metangula, onde assumiu a responsabilidade de novo Subsector, criado na região do Lago Niassa.


 COMPANHIA DE ARTILHARIA 637 


 Por: Faria Barbosa
  2º Sargento da CART 637

 

 A CART 637 do BART. 639, comandada pelo Capitão de Artilharia Luís António Themudo Gagliardini, embarcou  em Lisboa no navio “Niassa” em 1 de Abril de 1964.

Em Lourenço Marques desfilou conjuntamente com as restantes unidades do Batalhão.

De imediato seguiu para Nacala onde desembarcou a 26 de Abril de 1964, seguindo por via terrestre para Maua.

Ficou aquartelada nas instalações de uma antiga  fábrica de descasque de algodão

Desfile em Lourenço Marques
 Foi-lhe atribuída uma zona de acção que compreendia as áreas dos Postos Administrativos de MAUA, REVIA, MUNGO e NIPEPE, por onde realizou várias operações de reconhecimento e nomdização, acção psicológica e exercícios  de preparação e treino operacional.

Em 12 de Janeiro de 1965 destaca 2 Grupos de combate para reforçar a CCS do BCAÇ 598 instalada em Vila Cabral.

Estes Grupos de Combate exerceram actividade operacional nas Zonas de MANIAMBA, CÓBUÉ, OLIVENÇA, MATACA e MEPOTXE.

Regressaram a MAUA a 31 de Janeiro.

A 16 de Fevereiro de 1965 a CART 637 vai, na sua máxima  força reforçar a  CCS do BCAÇ 1891 na região de MANDIMBA, onde se previa acções acções de Grupos IN vindos do MALAWI. A 1 de Março de 1965.

Regressa a 1 de Março de 1965

Em 19 de Fevereiro de 1965 a CART 637 destaca para VILA CABRAL, em reforço da CCS do BCAÇ 598, e vai de imediato nomadizar na zona de NOVA COIMBRA e MIANDICA, montando um acampamento  (base)  em MESSUMBA a partir da qual fez várias operações.

Acampamento em Messumba

 Em 14 de Junho de 1965, enquanto um Grupo de Combate se desloca do acampamento para MIANDICA, foi accionada uma mina seguida de emboscada, morreu o soldado JOSÉ de ARAÚJO SENDÃO.

Foi a primeira mina detectada em território de Moçambique e o primeiro militar da CART. 637 caído em combate.

No mesmo local, a poucos metros, foi localizada uma segunda mina que foi levantada com êxito pelo 2º Sargento Faria Barbosa.

Foi também a primeira mina levantada em Moçambique.

A primeira mina levantada em Moçambique

 Esta mina foi inactividade, analisada e estudada o seu diagnóstico de funcionamento pelo 2º Sargento Faria Barbosa o qual elaborou um relatório que foi  enviado ao ESCALÃO superior e por este divulgado às restantes Unidades em operações.

A CART 637 manteve-se acampada neste acampamento de ABILO até Julho de 1965, tendo realizado várias operações com e sem contacto com o Inimigo.

Nesta data a CART 637 desactiva  o acampamento (base), monta armadilhas no local e inicia a viagem de regresso a VILA CABRAL, beneficiando do apoio aéreo a partir do rio LUNHO.

Chegou a VILA CABRAL a 17.

Manteve-se em Vila Cabral até 6 de Agosto de 1965, fazendo escoltas a diversa colunas de reabastecimento, lanchas de Fuzileiros e outras operações  em cooperação  com as autoridades administrativas
Missa campal no LUNHO

 

A partir de 6 de Agosto instala-se em MANIAMBA (Junto ao Posta Administrativo) onde lhe é atribuía uma ZA compreendida entre o LAGO NIASSA e o rio MESSINGUE e desde o cruzamento METANGULA-NOVA  COIMBRA  até ao KM 40 da picada  VILA CABRAL -MANIAMBA

Daqui parte para diversas operações, tendo uma  delas, na região de COLOMA, sofrido uma emboscada, com forte poder de fogo do Inimigo de que resultaram 2 mortos.

FURRIEL MILº ANTÓNIO MARQUES CARNEIRO

SOLDADO AMÍLCAR GONÇALVES DA COSTA RAMOS ( O ALGARVE)-

O Inimigo teve 11mortos confirmados e, segundo notícias posteriores, cerca de 15 feridos.

A CART 637 manteve-se em MANIAMBA até 13 de Novembro de 1965 realizando operações de combate, escolta e outras, nas zonas de MEPONDA, COLOMA, RIO MESSINGUE; PAGAGE e na célebre zona do caracol na picada MANIAMBA-METANGULA.

Em 13 de Novembro de 1965 a CART.. 637 regressa a MAUA terminado assim a sua actuação  na zona de VILA CABRAL.

Entretanto as actividades do IN na zona de MAUA haviam-se intensificado e a CART. 637 foi chamada e executar várias operações de combate nas regiões de REVIA, RIO NICOLOZETE, MUOCO, MECULA, NIPEPE e em algumas fazendas, tendo sofrido mais um morto em combate SOLDADO CARLOS ALBERTO (LAMEGO).

Tombou em combate em NECOLEZE no dia 5 de Abril de 1966.

Em 10 de Outubro de 1966 a CART.637 regressa finalmente à Metrópole, depois de 2 anos, 5 meses e 14 dias passados em zonas de combate, deixando em cemitérios de Moçambique, (VILA CABRAL e MISSÂO DE MAUA) quatro dos seus militares mortos em combate, naquela guerra que não quiseram mas a que não se furtaram.

A CART.637 muito apropriadamente, adoptou uma divisa no seu distintivo:

OS PRIMEIROS NA GUERRA DO NIASSA.

Juntamente com outras Unidades, enfrentou os primeiros ataques Inimigos em território de Moçambique.

A PÁTRIA HONRARAM QUE AS PÁTRIA OS CONTEMPLE.

 COMPANHIA DE CAÇADORES 695



Comandada pelo Capitão de Infantaria, António Jacques F. Castelo Branco Ferreira, desembarcou em Moçambique em 2 de Agosto de 1964.
Em Outubro de 1965, foi transferida para Nova Coimbra, onde rendeu a CCAV 568. Sob o comando operacional do BCAÇ 598, que assumira em Setembro de 1965 a responsabilidade de novo subsector com sede em Metangula, desenvolveu intensa actividade operacional, resultando a destruição de muitos acampamentos, apreensão de material de guerra e documentos e reparação de milhares de elementos da população, que se encontrava refugiada nas matas. Participou em várias operações, nomeadamente: "Falas Mansas", e "Açor" (Messumba" e "Morcego" ( Namatumba).
Foi rendida pela CCAV 1506 em Fevereiro de 1966, montou base em Muembe no Niassa.
Regressou a Portugal em 6 de Dezembro de 1966.
E 
COMPANHIA DE CAVALARIA 754 

 "SETE de ESPADAS"

 Por: José Carlos Sousa Jorge
  furriel Miliciano da CCAV 754



A CCAV 754, comandada pelo Capitão de Cavalaria José Pedro Simões Caçorino Dias 
embarcou em Lisboa com destino a Moçambique, a 5 de Janeiro de 1965 e chegou a VILA CABRAL a 28 do mesmo mês, onde foi integrada no BCAÇ 598. A "SETE DE ESPADAS", percorreu praticamente todo o NIASSA Ocidental designadamente: NOVA COIMBRA- LUNHO- MADAMBÚZI- MIANDICA- CÓBUÉ- SONJA e LIPOTXE.
Pescaria no Rio Lunho
Após o acidente de guerra que o Capitão Caçorino Dias foi vítima, tornando-o invisual, esta Companhia teve os seguintes comandantes: Capitão de Infantaria Raul Pereira da Cruz Silva e pelos Capitães de Cavalaria Mário António Pádua Valente e Oscar da Rocha Lima.

Balanço Operacional

À entrada do LUNHO a caminho do nosso acampamento em NOVA COIMBRA, faltavam duas horas para terminar mais uma operação de quatro dias. Quando a Companhia vinha em marcha apeada soa um grande rebentamento. Sabendo-se de antemão que um de nós tinha pisado uma mina. Infelizmente, assim tinha sido o nosso querido camarada "ROCHINHA" tinha pisado uma mina.
Saber que não escaparia com vida e mostrar uma coragem que só está ao alcance de grandes homens, marcou-nos com o seu exemplo e serviu-nos para enfrentarmos as dificuldades das vicissitudes da guerra que tínhamos de travar.

"ROCHITA" FICASTE PARA SEMPRE NO NOSSO CORAÇÃO.
No lado esqº, o malogrado "Rochita, ao centro o Fur. Jorge

Estávamos acampados em NOVA COIMBRA (era o primeiro acampamento naquele local) junto ao Rio LUNHO, quando por volta das 22H chegou o Major Fradinho da Costa da CCS do BCAÇ 598, vinda de METANGULA dizendo que precisava de um Pelotão da nossa Companhia para ir ao encontro de uns rebentamentos ouvidos junto à Picada do Caracol (Picada METANGULA- MANIAMBA). De imediato saiu o nosso 3º Pelotão, comandado pelo nosso Cap. Caçorino Dias. Ao percorrerem cerca de 3 Kms caímos numa emboscada. Emboscada essa que estava preparada para nós, pois eles sabiam que a "SETE DE ESPADAS" não virava a cara a nada. Houve reacção forte da nossa parte. Estando debaixo de fogo o Cap. Caçorino Dias, chama o Ten. Carvalho Araújo que estava junto dele. Este ao fazer o deslocamento para junto do Capitão, fragmentou  uma mina anti-pessoal, ferindo na cara o Capitão que estava muito perto da mina, ferindo-lhe a cara e os olhos. O Capitão disse logo que tinha perdido a visão. Após o cessar-fogo, foi colocado no jeep do Major e, com este ao volante, seguiu de imediato para a nossa base que, como disse, estava a cerca de 3 Kms. Chegando à base pediu de imediato uma secção para o levar para METANGULA (Base dos Fuzileiros). 
Saiu  de seguida um Unimog com um condutor e um Furriel para abrir caminho até METANGULA. Chegando à base dos Fuzileiros foi logo observado pelo corpo clínico , confirmando que efectivamente era nos olhos que estavam os ferimentos.
Havia necessidade de fazer uma evacuação rápida para VILA CABRAL. Tentou-se comunicar via rádio, mas foi impossível.


De costas o Gen. Caeiro Carrasco a seu lado o 
Capitão Caçorino Dias no Lago Niassa
 
Como era urgente a evacuação do Cap. Caçorino Dias e não havendo tropa para ir a NOVA COIMBRA a informar da necessidade de um pelotão, o regresso a NOVA COIMBRA foi feita pelo mesmo condutor e Furriel que tinham acompanhado o Capitão Caçorino Dias à base dos Fuzileiros.
Quando da chegada NOVA COIMBRA já o 3º Pelotão que tinha sofrido a emboscada lá se encontrava, ficando a Companhia ao corrente do estado do Capitão. E da necessidade de fazer a evacuação de METANGULA para VILA CABRAL. Ficaram também a saber que o Tenente Carvalho Araújo não tinha ido para METANGULA pois só tinha ido o jeep com o Major Fradinho da Costa  no Unimog com o condutor e o Furriel, os mesmos que tiveram de fazer o regresso a NOVA COIMBRA. Ficou logo no ar que quem tinha pisado a mina tinha sido o Tenente Carvalho Araújo, tendo morrido de imediato.
O célebre Joaquim Agostinho, o 2º à dirtª a transportar
mais um soldado morto na zona do Lunho
 Saindo um Pelotão para tentar encontrar o Tenente que estava no local onde pisou a mina, o que não tinha sido apercebido a sua falta porque o capim estava alto e só a sua ausência em NOVA COIMBRA levou-nos à sua procura tendo sido confirmada a sua morte.
Este relato  do ferimento do Capitão Caçorino Dias é uma justa homenagem de todo o pessoal da CCAV 754 (7 de ESPADAS). Foi uma honra para nós sermos comandados por este militar que consideramos um herói. Adicional à sua bravura e valentia era um condutor de homens fora do normal pois sempre contou com a Companhia incondicionalmente para todas as operações que eram solicitadas. Tivemos derivada às circunstância da nossa operacionalidade, quatro Comandantes, mas o espírito firme que a Companhia teve isso só com trabalho de comando que sempre foi mostrado pelo nosso Capitão, desde a formatura da Companhia, em SANTA MARGARIDA, até ao dia do seu ferimento, tendo ficado bem vincado o seu carisma de militar e humano até aos dias de hoje. Todos nós nos sentimos honrados e orgulhosos por termos sido comandados por ele. 
Armamento capturado à Frelimo em Nova Coimbra
 
No balanço operacional a Companhia teve 6 mortos, 5 feridos evacuados e cerca de 30 ferios ligeiros. Em Maio de 1966, fomos rendidos pela CCAV 1506  e fomos para INHAMINGA de onde partimos de regresso a casa em Julho de 1967.

A 31 de Maio de 1965, morreu em combate quatro militares da CCAV. 754:
2º Sargento QP  Joaquim Fernando
Soldado Manuel Henriques Monteiro
Soldado Manuel F. Parentes de Bouças
Manuel Luís Prazeres Lima
A 03  de Setembro de 1965, morreu em combate o soldado da CCAV. 754
José Fernandes da Rocha.

COMPANHIA DE CAVALARIA 1506



A CCAV. 1506, comandada pelo Capitão de Cavalaria Leopoldo Alberto Faro Pereira Pinto e integrada no BCAV 1879, embarcou, a 12 de Fevereiro de 1966.
Desembarcou em Nacala e foi Nova Coimbra, onde rendeu a CCAÇ 695.
De Fevereiro de 1966 a Março de 1967, efectuou patrulhamentos, nomadizações, emboscadas e abertura de itinerários. Participou nas operações "Dragão" (Namatumba) , "Estribo" (entre os rios Mepotxe, Trulo e Lucambo)"Lança em Riste" (Planalto de Miandica), "Gamarra" e "Quorum".
Em Março de 1967 é rendida pela CCAÇ 1558 do BCAÇ 1891.

A 15 de Fevereiro de 1967, morreu em combate um militar da CCAV. 1506
A 08 de Agosto de 1966, morreu em combate um militar da CCAV. 1506

 

 

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