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Livros da guerra colonial

Miandica terra do outro mundo


domingo, 14 de junho de 2026

MIANDICA TERRA DO OUTRO MUNDO

MIANDICA: TERRA DO OUTRO MUNDO

 Texto de:

Eduardo Carvalho  

Furriel Milº da CENGª 1531

 Enquanto decorriam os trabalhos na Picada NOVA COIMBRA-LUNHO a "minha" secção recebeu ordem para se deslocar para MIANDICA, onde iria ser construído um Aerodrómo e melhorar a segurança do acampamento ali existente, cujo residentes era um Pelotão da CCAV 1507. Os trabalhos de aterro demorou pouco tempo, visto que havia muita profissionalização entre nós a manobrar as máquinas

 De repente e quando passávamos para o outro lado dum riacho, cujo leito estava seco e, onde já estavam as máquinas, apareceu o Serafim a gritar que não via os camaradas que manobravam as máquinas. De imediato corri para junto das máquinas e qual não foi o meu espanto quando me vi envolvido por um enxame de abelhas. De tal forma fui "atacado" que tive de ser evacuado para NOVA COIMBRA. 

Passados poucos dias regressei a MIANDICA.

 

MIANDICA destroços duma DO

 As Companhias de Caçadores 1559 e 1558 em Miandica

Texto do Livro:  Moçambique Memórias de um Combatente   

 Por:  Manuel Pedro Dias

Furriel Milº da CCAÇ 1559

 A CCAÇ 1559 foi a primeira Companhia do BCAÇ 1891 a enviar tropas para Miandica
 Vindos do Molumbo, no Distrito da Zambézia, a CCAÇ 1559, recebeu ordem para se deslocar para o  Distrito do Niassa.

De comboio viajaram até ao Catur onde,tiveram a primeira realidade com a guerra. Em coluna auto rumaram até Meponda,que se situa nas margens do Lago Niassa.Daqui a 1559 foi transportada em lancha da Marinha (LDM)para o Cóbué destino final da Companhia.

Durante a viagem o Cap. Veiga deu ordem ao 1ºPelotão para desembarcar em NGO e de onde seguiriam a corta mato para MIANDICA onde iriam render o pessoal da CCAV 1505.

 O desembarque foi atribulado .A voz do Comandante da Lancha fazia-se ouvir:
RÁPIDO!!!RÁPIDO!!!! 

A 1559 a celebrar em Miandica (1967) o 1º Aniversário da sua Comissão

 Ali, ficaram entregues ao seu destino quarenta "bravos", que iriam enfrentar uma das duras experiências das suas vidas. Como "bagagem", levaram a inseparável G3, duas cartucheiras, cantil e saco de campanha com pano de tenda e e duas rações de combate,peso este já excessivo para quem tinha de enfrentar uma caminhada de dois dias através de percurso sinuoso,difícil e perigoso.
Finalmente avistámos Miandica. Era perfeitamente perceptível a vozearia que nos chegava de destacamento que, entretanto, fora alcançado. A recepcionarem-nos, não faltaram as tradicionais "câmaras de TV feitas com com caixas de ração de combate,e "jornalistas" com "microfones" construídos com latas de conserva.
Mas nós, alheios a toda esta alegria, lançámos um olhar pelo acampamento a verificar as condições em que iríamos viver durante dois meses.
Oh!!! meu Deus o que vimos!

Ao fundo o local da "caserna"

 Uma espécie de casa, exígua, sem reboco, cujos buracos serviam de refúgio aos parasitas, destinava-se a abrigar o Comando, arrecadação dos géneros alimentícios e postos de Enfermagem e de Rádio.   No centro do destacamento,mais parecendo um "monumento", seu ex-libres, encontravam-se os destroços os destroços duma velha DORNIER que tempos antes ali tinha caído. A seu lado, um conjunto unido de toscos troncos servia de porta a uma escavação, que nos disseram ser o paiol das munições. Intalações sanitária eram inexistentes e os Postos de Sentinela em número de quatro, e colocados ao nível das barreiras, tinham também a cobri-los velhas e ferrugentas chapas. Os dias, vazios, decorriam vagarosamente. Já mais resignados fomo-nos adaptando à nova realidade.

 

Furriel Dias junto aos destroços da Dornier

Os reabastecimentos ao destacamento era efectuado pela Força Aérea,dado que as colunas auto-auto só tinham lugar com meses de intervalo, face à grande envergadura de que se revestiam.

As DORNIER, em voo rasante, lançavam na improvisada pista, os géneros alimentícios, correio, tabaco etc....Todos os que andaram na Guerra sabem que a chegada do correio era um excelente tónico para leventar o moral da rapaziada. A nossa correspondência ía para o Cóbué e daqui era muito difícil enviá-la para Miandica.Tal facto, originou que que estivéssemos três semanas sem receber correio.

A dada altura, a alimentação do pessoal começou a deteriorar-se de dia para dia.No "depósito de géneros"apenas restava uma mísera carne de porco conservada em barricas com sal,uns bolorentos pacotes de massa e pouco mais, ou nada.Esta situação agravou-se dado que, durante oito dias, o pessoal entrou em subalimentação quase total, o que levou os mais fracos a tentarem praticar actos de verdadeira loucura, sendo impedidos de fazer pelos camaradas mais lúcidos.
Perante a nossa insistência, via Rádio, dando conta da situação, em certo final de tarde começámos a ouvir os roncares dos motors da avioneta. Foi o delírio no acampamento. A Dornier em voo rasante lançava sobre a pista a carga que nos era destinada.
Mas, com terra ou sem terra, naquela noite houve alimentos frescos. No dia seguinte tivemos que consumir o restante, dada a falta de frigoríficos.

Ida à água em Miandica uma grande preocupação

O abastecimento de água era outra grande dor de cabeça, visto o percurso até ao rio, que corria a cerca de um KM, ser bastante perigoso e a segurança ser feita apenas com uma secção, ficando os restantes a assegurar a defesa do destacamento. Além disso, uma outra secção estava incumbida de prestar apoio à máquina de Engenharia,que laborava no prolongamento da pista., foi atacada violentamente com intenso tiroteio de armas automáticas,vindo do interior da mata. Dada a progressão dos homens ser em campo aberto, pois avançavam na pista, receou-se o pior, até porque o inimigo tinha iniciado este ataque convicto que teria granse sucesso,visto que os nossos militares serem um alvo fácil.
Mas, bravos foram os nossos homens os quais, ripostando ao fogo do inimigo, e com a ajuda daqueles que se encontravam no destacamento,entretanto também fustigado em todas as direcções, conseguiram calar as armas adversárias.
Minutos depois entravam para cá das barreiras os nossos camaradas emboscados. Foi um momento ímpar e emocionante aquele. 
Perante o que vivemos e presenciámos em Miandica, quase somos levados a crer que a carta que Mouzinho Albuquerque escreveu em Moçambique,dirigida ao Príncipe D. Luís,foi pensada em termos de futuro e que se queria referir,certamente,àquele punhada de bravos que viveram em Miandica-


O Último soldado português morto em Miandica

Texto escrito por:   

António Carvalho

1º Cabo Enfermeiro da CCAÇ 1558


Fiz parte do último grupo da Companhia Caçadores 1558 que foi destacado para Miandica.

Não vale a pena descrever as más condições, a todos os níveis, que lá passámos nos 3 meses que durava o destacamento, pois isso é do conhecimento de uma grande parte dos ex-militares que compunham o Batalhão de Caçadores 1891. Desde a falta de comida, correio, por vezes munições e tabaco, que foi muitas vezes a nossa única companhia.

Mas vou descrever um episódio, o último naquele lugar longe de tudo.

No dia 25 de Fevereiro de 1968, estava para chegar o novo grupo de combate que nos ia substituir, para podermos regressar a Nova Coimbra já que o nosso tempo de comissão estava a terminar.

Antes da chegada, combinado com todos os elementos, o alferes Quintas, que substituiu o alferes Sancho por ter sido ferido em combate, resolveu pregar uma partida aos “Checas”, trocando todos os postos, tendo ele passado asoldado e cabendo a mim o galão de alferes.

Os  Kokuanas da CCAÇÇ 1558 a recepcionarem os Chekas
 

Quando chegaram os chekas, depois de termos recebido as instruções para o novo desempenho de funções, dirigi-me ao graduado que comandava os “Checas” e apresentei-me como sendo o alferes Quintas.

Depois de uma curta conversa, comecei a mostrar as instalações, que eram fáceis de visitar, pois quase nada havia.

Andei por cima da barreira que nos protegia, com o já citado novo comandante, explicando-lhe quais as zonas consideradas mais perigosas e de possíveis ataques.

Passado algum tempo e conforme já previamente combinado, separei-me por uns momentos do meu interlocutor e rapidamente voltámos aos respectivos postos, coloquei os meus óculos escuros, graduados, para não ser facilmente reconhecido e então o verdadeiro alferes Quintas tomou o seu posto e foi ter com o seu homologo, contando-lhe a brincadeira a que tinha sido submetido.

Eu fui ter com o meu colega enfermeiro que me ia render e entabulei então a conversa normal de mais velho para mais novo, dizendo-lhe que a zona era perigosa, sujeita a ataques, que ainda não tínhamos tido nenhum por sorte, e que a vida ali era muito dura.

Recebi como resposta “isso é conversa de velhos para nos meterem medo, pois em Nova Coimbra disseram-nos que havia muitas minas pelo caminho e nada nos aconteceu” .

Cerca das 16.50 horas, quase mal tínhamos acabado esta conversa, sofremos sim um ataque, como penso ainda não se tinha registado por ali, a partir do mato junto à pista de aterragem, com morteiros, bazucas e canhão sem recuo.

Com a surpresa e porque os novos, segundo penso que foi essa a informação que eles me transmitiram, tinham chegado directamente da metrópole, não tendo qualquer experiencia de guerra, muitos, tiveram como reacção deitarem-se no chão não crendo no que lhes estava a acontecer.

Coube-nos a nós, velhos, rechaçar o ataque, e não me esqueço daquele acto do nosso colega, que não me lembro o nome mas a alcunha “França” que saltou para cima da barreira de protecção e a descoberto, com raiva descarregou os carregadores da G3 para a zona de onde provinha o ataque.

Mas, infelizmente a primeira granada que é disparada pelo inimigo cai dentro do acampamento e mata o meu grande amigo Fernandes, que era o padeiro e que ao sentir o ataque desloca-se á barraca que nos servia de abrigo, buscar a G3 e quando ia para a barreira foi atingido, ficando com a cabeça quase desfeita, (o Fernandes está na foto anexa a almoçar e com uma caneca na mão.

O Fernandes da CCAÇ 1558 o último soldado a morrer em Miandiaca
 Mas o pior estava para acontecer, como o ataque tinha sido perto das 17 horas, e o inimigo também sabia, a aviação já não nos podia socorrer, embora tenha sido pedida a evacuação via rádio, ainda a 25 de Fevereiro.

No dia 26 de manhã, apareceu o helicóptero para fazer a evacuação, só que não havia feridos, mas um morto.

O alferes Quintas recebeu como resposta que não evacuavam mortos e que teríamos de o enterrar no mato em Miandica, tendo o mesmo dito que isso não faria, mas o carregaríamos mais de 40 km a corta mato, às costas, até Nova Coimbra, já que íamos regressar no dia seguinte aquele quartel para regressarmos a Portugal.

O comandante da aeronave, penso que tocado no coração, resolveu levar, contra todas as ordens, o corpo para Nova Coimbra.

 

O meu relato do último ataque a Miandica


Texto escrito por

José Martins

Soldado Radiotelegrafista da CCAÇ. 1558


Corria o mês de Fevereiro de 1968, um domingo antes do Carnaval, quem escreve estas linhas lia o livro, de título “ Sob o nevoeiro” enviado pelo Movimento Nacional Feminino, sentado no posto de vigia a noroeste do destacamento, quando vejo aparecer um branco de camuflado, com a G3, arrojada pela terra, e muito cansado. Grito-lhe, não dás nem mais um passo… e porquê esta minha atitude… ( nas vésperas tínhamos recebido informação dum golpe de mão perpetrado por brancos num destacamento contra nós na zona de Cabo Delgado, O sujeito bem berrou que era do pelotão que nos vinha render,,, começaram a chegar mais militares e pouco depois começou um forte de bombardeamento, por uma arma nunca usada contra nós naquela zona, o canhão sem recuo. Depois, sofremos a última baixa em combate, o soldado Fernandes.

  Companhia de Caçadores   4141

 Companhia de Caçadores   4141                                                                                       

Texto de Bernardino Simões

Soldado da CCAÇ 4141

 
Quando terminou a minha função de guarda, fui em direcção da caserna e deitei-me  na minha cama fumando mais um cigarro e escrevendo um aerograma para a minha noiva que muitas saudades já tinha.
Chegou ao Lunho a primeira parte do pessoal e de máquinas da 2.ª C. de Engª de Moçambique. O restante pessoal e material chegaram nos dias 29 e 30 de Junho de 1973. 
A C.cac. 4141 de imediato suspendeu todas as operações para fazer a protecção à 2.ª C. Eng. 
A Operação "Intervalo" teve por finalidade a construção de uma picada do Lunho para Miandica e aqui reconstruir um novo aquartelamento. 
Durante a Operação "Intervalo", um grupo de guerrilheiros da FRELIMO atacou com armas automáticas  e emboscaram uma viatura da nossa companhia sem consequências.
A viatura seguindo a sua marcha detectou uma mina anticarro  que de imediato foi levantada. No percurso detectámos  duas minas anticarro que de imediato foram levantadas. 
 Durante os trabalho de reconstrução do aquartelamento de Miandica os guerrilheiros da FRELIMO atacaram-nos por diversas vezes. Capturámos uma espingarda automática, uma mina anti-carro, 7 porta granadas de canhão sem recuo e não tivemos baixas.
A  FRELIMO  atacou a companhia de engenharia que se encontrava a "desatascar" uma viatura na picada do Lunho para  Miandica.
De regresso ao Lunho uma viatura berliett da C.caç.4141  na picada de Miandica para o Lunho accionou uma mina anticarro a qual ficou praticamente destruída. Nessa viatura viajava algum pessoal que felizmente só tiveram  ferimentos ligeiros. 
A picada do Lunho para Miandica começou a ficar intransitável sendo o pessoal reabastecido por  Helicóptero.
A CCAÇ 4141 foi rendida no Lunho pela CART 7260 em Março de 1974

Os Últimos Soldados Portugueses naquele inferno

Por: António Caldas 
Soldado da CART 7260

A 20 de Março, o 2º Pelotão da CART 7260, comandado pelo Alferes Lourenço e acompanhados por alguns militares da CCAÇ 4141, saíram do aquartelamento do Lunho e seguiram a pé pela picada até Miandica. 
Por todo o caminho, viam-se buracos feitos por minas, pendurados nas árvores restos de pneus, pedaços de ferro retorcido e aros de jantes de viaturas militares destruídos pelas minas.
Paisagem do outro mundo, paisagem de guerra, paisagem do inferno, visão de meter medo a quem como nós acabados de chegar da Metrópole. 
Se o Lunho tinha fama de ser o inferno, nós estávamos para lá do inferno.
Depois de algumas horas de marcha, chegámos a uma nascente de água
barrenta e cansados ouvimos um camarada dizer: ainda faltam 10 Kms. 
Olhei na direcção que ele apontava e vi um bocado de madeira agarrado a um pau que indicava MIANDICA 10Kms. Perdemos a pouca força que tínhamos e alguns deitaram-se no chão. Era mentira!!!. Cerca de 500 metros à frente, lá estava o acampamento de Miandica. Eram 16h do dia 20 de Março de 1974.

Abrindo caminho para esgotar a água

Depois de 6 horas de marcha pela picada, onde a cada passo se viam sinais de de uma guerra terrível. Eis MIANDICA, a mítica Miandica, nome de mulher, doce no falar, mas temida por todos, entranhou bem fundona alma e corações  dos Combatentes que por lá passaram. 
Mas para a grande maioria que lá viveu e a sentiu será sempre MIANDICA TERRA DO OUTRO MUNDO.
Na visita guiada dentro do acampamento, deparámos com três tendas e um muro de terra em volta. Os velhinhos (Kokuanas) informaram que para Norte, nem um passo, são as zonas libertadas. A Oeste havia um antigo acampamento que tinha sido abandonado em 1968 e com ele uma pista de aviação. 
Tudo estava coberto de capim.
 Era perigoso lá ir devido à possibilidade de minas
Restos do acampamento,
que foi construído nos finais de 1966  
pela  CENGª  1531, e abandonado a 3 de Abril de 1968


A Sul é aonde se podia ir à lenha e lá havia uma nascente de água barrenta. Era necessário filtrá-la com dois lenços. 
O banho era tomado na nascente com uma lata de ração de combate. Devido ao único Unimog existente estar inoperacionais íamos a pé uma vez por semana a picar a picada para detecção de minas.
 Íamos ao encontro dos camaradas que estavam no Lunho e que nos levavam os géneros alimentícios e o correio. O local do reencontro era uma grande árvore que ficava a meio caminho. Dias e noites, foram passando, manhã ir à água à tardinha ver o espectáculo dos macacos, que passavam a norte de este para oeste em grandes bandos, à noite era dormir com a G3 na mão, era rara a noite que os sentinelas, não davam alarme, quase sempre do lado sul , penso que eram animais, eu nunca vi luzes à noite, era o medo que fazia os meus camaradas verem luzes, muitas foram as vezes, que a minha respiração e o meu coração quase pararam, para que eu pudesse sentir e ver com os ouvidos, era naquelas noites escuras que eu sentia, MIANDICA penetrar no mais profundo do meu ser.


A 28 de Março, o 4º Pelotão que nos ia abastecer, localizou e desactivou uma mina anti-carro com dispositivo anti-pessoal.
Sexta Feira 5 de Abril de 1974, grande ataque ao Lunho. 
Neste dia entregou-se à sentinela uma jovem mulher autóctone. 
Depois de várias peripécias, o Capitão Salaviza deu por bem enviá-la no dia seguinte de helicóptero para Vila Cabral para ser interrogada pela PIDE.
Ao anoitecer desse dia começou a cair “chuva” de granadas de morteiro 122 sobre o Lunho. Os dois obuses 14 não paravam de “vomitar” fogo. 
O Capitão pediu ajuda à aviação, como era de noite esta não foi enviada. Vila Cabral resolveu enviar os GES que estavam aquartelados em Nova Coimbra. Era de noite e eram 17Kms que separavam estes dois aquartelamentos. . Já havia poucas munições de obuses e de morteiro 80. 
No Lunho só estavam o 3ª e 4º Pelotões e face à ferocidade do ataque e à escassez de pessoal, o Capitão chegou a dar ordens para fugir para Nova Coimbra.
Os GES ainda se deslocaram para o local de onde os homens da Frelimo atacaram o aquartelamento, mas estes já tinham debandado e só encontraram vários rastos de sangue e muitas cápsulas vazias de muitas armas de fogo.
Em Miandica assistíamos ao cruzar de bombas sem nada poder fazer. 
 No dia seguinte, recebemos em Miandica, o 1º Pelotão comandado pelo Alferes Raposo que andava em patrulha na zona.
Durante toda a manhã ouvimos os helicópteros mas nunca os vimos. O Alferes Raposo com o seu Pelotão, sem qualquer apoio, resolveu ir para o Lunho, eram cerca de 24 Kms entre estes dois aquartelamentos.


Lunho. O Caldas com um guerrilheiro da Frelimo
 
Nesse dia não entendi a não intervenção da Força Aérea.
Sexta Feira 12 de Abril 1974, veio ordem para abandonar Miandica. 
A ordem dizia que só podíamos levar as G3 e objectos pessoais, o restante seria abandonado, tendas, utensílios de cozinha e o velho Unimog.
EM MIANDICA, FICou MUITO SANGUE, SUOR E LÁGRIMAS DE MUITOS SOLDADOS PORTUGUESES!!!.

Nota do Administrador do Blog. O Comando de Sector,determinou,em 3 de Abril de 1968,a extinção do destacamento de Miandica por se saber  da intenção da Frelimo atacar,com grande efectivos,a pequena força da NT.

Amadeu Silva- C. Caç. 1558

Os Pelotões que permaneceram em Miandica.

A Companhia de Cavalaria 754 (7 de Espadas) e a Companhia de Artilharia 637, andaram na região de Miandica. A 7 de Espadas levou muita pancada nesta região (havendo mortos enterrados na zona, cujas campas foram vistas por militares da CCAÇ 1559 ( ver vídeo em cima). A 637 teve acampamento em Miandica -a-Velha.


Miandica

22/9/1966 --- Pelotão da CCAV. 1507 do BCAV. 1879
15/3/1967 --- 1º Pelotão da CCAÇ 1559. --- 8 de Maio ataque aos homens da pista.
18/5/1967 --- 3º Pelotão da CCAÇ 1559 .--- A 18 e 19 de Maio sofre violentos ataques sem consequências.
17/7/1967 ---4º Pelotão da CCAÇ 1559 --- Sem incidentes, apenas a entrega de um guerrilheiro da Frelimo.
22/9/1967 --- 1º Pelotão da CCAÇ 1558. Este Pelotão participou na Operação "CARAVANA 1". Reabastecimento de Miandica. No percurso Lunho - Miandica foram accionadas duas minas anti-carro.
02/12/1967 --- 2º Pelotão da CCAÇ 1558. Em 25 de Fevereiro de 1968, dia da redenção, por um Pelotão da CART 2325, a Frelimo fez um violento ataque ao destacamento que provocou a morte ao soldado António Fernandes da CCAÇ 1558.
24/2/1968. Um Pelotão da CART 2325 que se mantém em Miandica até ao seu abandono a 3 de Abril de 1968.
Em Maio de 1973 um Pelotão da CCAÇ 4141, acompanhado por pessoal da 2ªENGª. foi para Miandica para iniciar os trabalhos do novo aquartelamento.
20/3/1974 --- 2º Pelotão da CART 7260, ali permaneceu até 12 de Abril de 1974, quando mais uma vez este aquartelamento foi abandonado.


A reocupação de Miandica em Maio de 1973 foi feita com o objectivo de controlar a região, o que não aconteceu na primeira ocupação.
Na segunda ocupação as instalações eram tendas de campanha. Foi aberto um poço para abastecimento de água. O fornecimento de pão era feito do seguinte modo: Saía um um grupo de Miandica em direcção ao Lunho e daqui outro em direcção a Miandica. Encontravam-se a meio caminho para fazer a entrega do pão que era para oito dias.


 

 

 

 

 

 

domingo, 31 de maio de 2026

TRÊS VERSÕES DA TRAGÉDIA DE 28 de FEVEREIRO de 1967 EM MANIAMBA NO NIASSA

 TRÊS VERSÕES DA TRAGÉDIA DE 28 de FEVEREIRO de 1967 EM MANIAMBA NO NIASSA

 A minha narrativa:

Por José Cardoso Reis

Furriel Miliciano da CCAÇ 1560 – BCAÇ 1891


  Partimos de MANIAMBA em três viaturas, uma Berliet  e dois Unimog.

A missão era para fazermos o reconhecimento à ponte em madeira do Rio LUALESI, situado ao KM 10 da picada MANIAMBA e VILA CABRAL.

O dia estava com sol e muito quente, tudo levava a crer que era mais uma missão de rotina e sem problemas.

Na frente seguia a Berliet conduzida  pelo “LOUROSA” e comandada pelo Alferes RIO TINTO e que transportava uma Secção na qual eu estava incorporado.

Na 3ª seguia um Unimog que era conduzido pelo FERNANDO SILVA FERNANDES e a 2ª viatura, o outro Unimog era conduzido pelo “PARDAL”.

Ao 6º Km o primeiro Unimog accionou uma mina  anti-carro.

Os nossos camaradas foram projectados, sendo o JOSÉ PAIVA SIMÕES que seguia ao lado do “PARDAL”sido atingido na cabeça pelo dínamo da viatura que se tinha soltado com a explosão. O seu estado era crítico, havia mais feridos e entre eles o , condutor o “PARDAL” com uma perna fracturada. De imediato o comandante da coluna o Alferes RIO TINTO orfenou que se montasse a segurança, recolhesse o material disperso e ele, regressou a MANIAMBA com os ferido no outro Unimog.

Deveriam ter percorrido poucas centenas de metros, o Unimog que ia de regresso a MANIAMBA accionou uma nova mina. Foi um estrondo enorme e vimos levantar uma enorme nuvem de fumo. Nós, os que estávamos no local do primeiro rebentamento, invertemos o sentido da marcha da Berliet e fomos em socorro dos nossos camaradas. Quando lá chegámos, deparámos com um cenário dantesco. O Unimog em chamas e, quase todos os militares com queimaduras muito graves e o condutor o FERNANDO DA SILVA FERNANDES preso pelos pés nos sacos de areia gritava por socorro.

O Alferes RIO TINTO estava apático no meio da picada e tinha um braço queimado. Perguntei-lhe se estava ferido. Não respondeu. Levantei-o e pu-lo na Berliet juntamente com os outros feridos.

No meio do caos instalado apercebi-me que faltavam alguns militares. Os ausentes eram o PAULOS, o VENTURA.

O MANUEL DOS SANTOS e o CARLOS MORAIS, feridos com estilhaços e queimaduras em todo o corpo, tinham ido a correr para MANIAMBA.

Dei ordem de partida à Berliet e no caminho de regresso fomos recolhendo os camaradas

Queria a todo o custo voltar para o mato repetindo: EU VOU MATAR TODOS ESSES BANDIDOS!!.

Tentámos acamá-lo, mas ele dava pontapés cabeçadas nas portas,nas paredes e por fim já exausto acalmou.

Os feridos foram evacuados para o Hospital em VILA CABRAL.

Nesta tragédia faleceram no local o SIMÕES e o FERNANDES. O MORAIS viria a falecer no HOSPITAL MILITAR E NAMPULA a 9 de Março.

Os outros militares foram evacuados para a Metrópole.

 

A Minha Narrativa:

Por: José Carlos Paulos

Soldado da CCAÇ 1560


Neste fatídico dia,seguia com a minha Secção,na 3ª viatura.Depois do 2ºUnimog ter acciomado uma mina,fomos em seu socorro. De repente,um estrondo,eu e os meus camaradas fomos projectados e uma bola de fogo atingiu-nos.

 Eu,o Carlos Morais e o Ventura,fomos as maiores vítimas.

O Condutor era o Fernando da Silva Fernandes,ficou preso pelos sacos de areia.

Nós todos, apesar de feridos com estilhaços e com muitas queimaduras tentámos  por várias vezes libertá-lo.Fizeram-se  várias tentativas e depois de  muito esforço,concluímos que era  impossível naquele pasto de chamas.

As últimas palavras ouvidas da sua boca foram para mim : NUNCA MAIS VEJO AS MINHAS MENINAS (tinha 2 filhas). Assistimos à sua morte. Morreu carbonizado.
 Uma avioneta DO, de reabastecimento, deslocava-se para Maniamba, e sobrevoava por acaso o local da tragédia.Quando aterrou em Maniamba alertou o Comandante da Companhia que devido à ausência do Cap.Campinas,era o ALF. Fernando Oliveira do que tinha visto.
. A DO esperou que os feridos chegassem ao quartel.

Depois dos primeiros socorros fomos transportados para Vila Cabral os três mais graves que eram o Paulos,o Manuel dos Santos e o Morais. Aterrámos na Base Aérea e ficámos abandonados no chão e dados como mortos.

Foi então que  ouvi uma Enfermeira Paraquedista dizer a um Alferes: estes já tinham "Lerpado". Ao ouvir a Enfermeira, mexi em desespero um braço e por sorte o Alferes viu o gesto e  respondeu-lhe: ELES ESTÃO VIVOS. De imediato fomos transportados de ambulância para o Hospital de Vila Cabral.Aqui recebemos mais socorros e durante a noite fomos evacuados de urgência por um NordAtlas para o Hospital Militar 125 em Nampula.

No dia seguinte agravou-se o estado do Manuel dos Santos que de imediato foi evacuado para a Metrópole. Eu e o  Morais  estávamos no mesmo quarto. O sofrimento era muito. Nunca falámos.O meu estado era grave, mas o do "Lisboa" era bem pior. Creio que muito orgãos do seu corpo foram afectados irremediavelmente, designadamente a visão e o seu corpo apresentava um tom esverdeado.

Não conseguiu resistir aos estilhaços e às queimaduras.E na manhã de 9 de Março acabou por falecer.

Fiquei internado no Hospital durante 52 dias, findo os quais fui fazer a recuperação para o Quartel General em Nampula durante 15 dias. Saí desta Cidade a 8 de Agosto de 1967,tendo chegado a Maniamba a 14 do mesmo mês à noite e por curiosidade o aquartelamento foi atacado nessa mesma noite.

Como era apontador de Morteiro desloquei-me ao local da arma e ripostei ao fogo do inimigo.  

 

2004. Zona do rio LUALEZI. Visita de Fernando Oliveira e Pedro Dias ao local do acidente

 Louvor concedido pelo comandante do BCAÇ 1891

 Louvo o 1º Cabo JOSÉ CARLOS PAULOS da CCAÇ 1560, pelo conjunto de virtudes militares que soube demonstrar durante cerca de 2 anos de Comissão na REGIÃO MILITAR de MOÇAMBIQUE.

Tendo sido gravemente ferido em combate a 28 de Fevereiro de 1967, ficando bastante queimado em várias regiões do corpo e com algumas lesões internas, que o sem-incapacitaram fisicamente fisícamente de regressar À CCAÇ 1560.

Foi ele próprio procurou tornar-se útil aos seus camaradas e à Companhia., oferecendo-se para todos os trabalhos e serviços de Aquartelamento demonstrando assim  um elevado espírito de sacrifício e noção do dever.

Militar muito correcto e disciplinado é digno de toda a estima e consideração deste Comando.

O.S nº 100 de 06 de Maio de 1968

 Crónica de Germano Rio Tinto
Alferes da CCAÇ 1560

"O INIMIGO ESCONDIDO"


Naquele dia 28 de Fevereiro de 1967, a manhã havia despontado igual a tantas outras. Havia sempre a esperança, renovada em cada dia, de que as folhas do alendário fossem passando, e a hora de regressar, ainda tão longínqua, acabasse por surgir no meio da alegria colectiva, depois do amargo sabor das inesgotável horas de sofrimento.

Partiram os três Unimogs gasolina, a prontidão era total e a disponibilidade absoluta. Havia algumas pontes a vistoriar, construções frágeis que uniam as margens estreitas do Lualece. Este escorria com violência, semelhante a tantos outros rios do norte da Província. 

Era de algum modo a estreia no mato para mim, saído da Academia Militar ainda há menos de um ano. O brio desanuviava qualquer sentimento de ameaça, e o colectivo do grupo fazia desaparecer todo o receio. 

Nem sequer nos lembrávamos do capitão, em tratamento em Nampula, a sua presença tornava-se desnecessária. A picada desenhava-se sinuosa na sua terra vermelha barrenta, ameaçadora nas suas bermas amolecidas pelas chuvadas recentes, emoldurada pelo capim alto que ocultava muitos receios e demasiadas sombras. 

As três viaturas subiam, quase e cima umas das outras, numa marcha penosa e carregada de monotonia. Eu viajava na do meio, e olhava alternadamente para a da frente e para a da retaguarda, tentando ligar à vista aquele grupo tripartido,  demasiado unido para que se pudesse facilmente separar. Íamos numa proximidade perfeita, e parecia que apenas uma viatura circulasse naquele ermo povoado de expectativas, em que os olhares não descortinavam o horizonte, centrados na proximidade do itinerário. 

E foi então que o inesperado aconteceu. O silêncio transformou-se num trovão atroz, a primeira viatura subiu no ar como boneco inofensivo, os seus ocupantes foram cuspidos para as bermas, uma nuvem de cinzas encheu todo o espaço visível e o característico cheiro a gasolina e explosivo queimados preencheu as narinas e os pulmões. 

De nada valeu a recusa ou o protesto, a fuga não era possível, estávamos ali irmanados numa desgraça de contornos ainda desconhecidos. Pouco importava sonhar quando o realismo dos factos se impunha como uma penedia no trajecto dum viajante.Chegou então a primeira notícia: o soldado ao lado do condutor, que viajava sem capacete na cabeça, situação que apesar dos contínuos avisos frequentemente se repetia, tinha sofrido o violento impacto do dínamo da viatura na cabeça. Era uma situação demasiado crítica e imensamente urgente. 

Olhei à volta, os soldados espalhavam-se pelo chão, alguns choravam, o desespero tornara-se presente, a desorganização completa. Num só instante,uma tarefa simples, planeada,corrente, fora transformada em tragédia. A fragilidade era enorme, a impotência ocupava as mentes, os pensamentos voavam sem nexo. Eu próprio senti os limites tornados presentes pela novidade duma realidade nunca experimentada. Senti que era urgente actuar, mandei fazer inversão da viatura à retaguarda, o rádio estava destruído, peguei ao colo o malogrado camarada e seguimos, pressupostos, a caminho de Maniamba. 

O carro transportava apenas três ou quatro soldados, lutávamos contra o tempo, alimentávamos alguma pouca esperança, sofríamos sem a consciência dos factos . Não posso agora narrar, por mim mesmo, o que se passou. A viatura rebentou nova mina, que tinha ficado para trás, pisada mas não accionada pelas várias viaturas. Eu e o soldado ferido fomos cuspidos longe, aqueles que ficaram agarrados à viatura sofreram queimaduras horríveis, e as chamas espalharam-se pela mata e incendiaram o capim.

 Chegámos por fim à Companhia, que ouvira os rebentamentos como trovões, e fomos evacuados para o Hospital de Vila Cabral. Alguns nomes ficaram escritos nas recordações amargas da Companhia e na história do Batalhão: Simões, Fernandes e Morais.

Hoje, ao recordar factos tão longínquos, não posso deixar de experimentar o respeito profundo pelo sacrifício dos camaradas aqui recordados, na etranha e em mata adversa, sem poderem voltar alguns momentos antes a dizer adeus aos seus, que os aguardavam, contando as horas e sorvendo a saudade. sua efémera passagem pelo norte de Moçambique, sucumbidos em terra estranha e em mata adversa, sem poderem voltar alguns momentos antes a dizer adeus aos seus, que os aguardavam, contando as horas e sorvendo a saudade.  

Porquê eles e não outros, porquê naquela situação, para quê levar a cabo aquela tarefa provavelmente tão desnecessária e tão inoportuna ? Tudo ficou por responder, mas à medida que os anos passam ( e são já mais de quarenta)a saudade vai caminhando acompanhada de interrogações, e as vidas jovens ceifadas de forma tão brutal clamam certamente por uma vida não preenchida, por tantos sonhos não acharam espaço e tempo para se revelar.

As guerras, mais uma vez, deverão deixar de preencher o acervo histórico da humanidade, e nunca mais deverão marcar a condição humana como algo de absolutamente inevitável, nem constituir um caminho para garantir a paz.

As viaturas retorcidas e irreconhecíveis destas poucas fotos são como uma agressão imerecida, como forma de punição por crimes que nunca foram cometidos...



 Um dos UNIMOG intervientes na tragédia de 28 de Fevereiri de 1967


O "inimigo escondido" permanece, desde há

muitas décadas, dissimulado na perfídia e na maldade, e a sua presença está

essencialmente presente na opressão que vitima os inocentes, aqueles que

marcham empolgados por gritos de epopeia em nome duma Pátria que

frequentemente os desconhece.

Nos plainos de Vila Cabral, em nome dum patriotismo hoje esgotado, as três

vidas ali imoladas apenas podem ser glorificadas pela nossa recordação e

saudades.
 

Reconhecimento, ultraje e dignidade

 Em resultado desta tragédia, o Soldado Carlos Alberto da Silva Morais foi Condecorado com a Medalha de Mérito de 4ª Classe.

Medalha de Mérito de 4ª Classe

 

S. EXª o Comandante da Região Militar de Moçambique, concedeu o seguinte louvor: 


 Louvo o Soldado Atirador,Carlos Alberto da Silva Morais,porque no dia 28 de Fevereiro de 1967,quando do rebentamento de um engenho explosivo,na viatura em que seguia,ter tentado,por todos os meios,socorrer um seu camarada,condutor da mesma viatura,que havia ficado preso pelos pés à mesma quando esta se incendiou,atitude  que lhe causou graves ferimentos que acabou por ocasiona a morte no H.M. 125.Este Militar desde sempre se havia distinguido pelo seu aprumo disciplinar e bravura em combate,em todas as operações que actuou,sendo nelas sempre voluntário para as mais difíceis e perigosas missões.Tal militar que pela sua Pátria deu conscientemente a sua vida é bem digno de ser por nós olhado com todo o respeito e gratidão,muito honrando o Exército Português.
(Artº 3º da O.S. nº 81 de 11 de Outubro de 1967,da Região Militar de Moçambique). 

Na época, o Estado Português não participou economicamente na transladação do corpo do seu Herói. Seus Pais,os Senhores Agnelo e Flavia Morais além da dor da perda do seu querido filho foram confrontados com esta indignidade. Com muitos custos e dificuldades,os Pais do Carlos Morais angariaram a verba da transladação do corpo do seu filho.Mas,como eram pessoas muito honradas e de grande dignidade,e para não se misturarem com pessoas indignas,recusaram ir receber a Condecoração que foi atribuída a seu filho.

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