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Livros da guerra colonial

Miandica terra do outro mundo


segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

COMPANHIA DE ARTILHARIA 7256 -- "A FUGA"

Unidade Mobilizadora: GACA 2 -- Torres Novas
Comandante: Capitão Milº João António Esgalhado de Oliveira
Partida de Lisboa: 18 de Janeiro de 1973
Regresso a Lisboa: 31 de Outubro de 1974
A CART 7256, foi formada no GAGA 2 de Torres Novas em 19 de Setembro de 1972, tendo-se realizado a cerimónia da entrega do guião em 3 de Janeiro de 1973.
2º Embarcou no dia 18 de Janeiro de 1973 num avião Boeing 707 dos TAM, em Lisboa com destino a Beira /Moçambique, tendo desembarcado nesta cidade em 19 de Janeiro pelas 13 
horas.
3º No dia 22 -- Iniciou o seu deslocamento para Nangolo (Cabo Delgado)º do), saindo da Beira para Porto Amélia.
4º No dia 24 -- Iniciou a coluna, com cerca de 60 viaturas de Porto Amélia sendo a primeira paragem em Montepuez.
No dia 25 -- a coluna saiu de Montepuez com destino a Mueda.
No dia 2 de Fevereiro reiniciou-se a coluna com destino a Nangololo e para rendição da CART 3573 tendo demorado cerca de oito dias para percorrer 38 Kms, até ao destino final.
Durante a estadia no aquartelamento de Nangololo,  todos os Grupos de combate executaram quase diariamente tarefas de patrulhamento na zona, assim como operações de grande complexidade para executar assaltos em bases IN.
Ao longo deste tempo o  aquartelamento foi abonado  por 65 vezes com morteirada, canhão sem recuo, foguetão 122 o que provocou uma grande instabilidade e insegurança permanente.
Por diversas vezes fomos solicitados para apoios à Engenharia e outras operações em zonas fora do nosso aquartelamento, tais como Mueda, Macomia e Serra Mapé e no lado oposto da Baía de Porto Amélia.
Considerando as dificuldades de deslocação por via terrestre, só éramos reabastecidos por via aérea o que condicionava a nossa manutenção no aquartelamento.
Em Janeiro/Fevereiro de 1973 e com o aparecimento dos mísseis terra-ar por parte do IN, bloqueou quase por completo a nossa permanência naquele local, pois o reabastecimento já só era feito pela calada da noite e alturas que fosse possível para a aviação civil "CALDECO". Pontualmente fomos abastecidos por helicópteros militares Puma, quando se tratava de uma carga mais pesada.(Farinhas e outros bens alimentares)
Face ao que estava a acontecer a manutenção de mais de uma centenas de militares naquelas condições, era de todo impossível continuar, mas fomo-nos mantendo até que se deu a Revolução de 25 de Abril de 1974.
A partir dessa data foram canceladas todas as operações no exterior do aquartelamento, tendo-nos sido informado superiormente de que deveríamos fazer todos os possíveis para dialogar com o IN.
Em 2 de Agosto de 1974, recebemos via rádio informação de que deveríamos abandonar o aquartelamento e que a deslocação deveria ser a pé até Mueda.
Tendo conhecimento que no dia anterior uma companhia sediada em Omar tinha sido capturada e levada como reféns do IN, ficámos preocupados com a nossa situação pois já não tínhamos meios alternativos de deslocação e o percurso para Mueda era cortado por vários trilhos de grande movimentação In e que este naturalmente estava a prever essa mesma deslocação.
Face a todas estas situações acima expostas e denotando-se a grande perigosidade para todos os elementos da Companhia, entendeu-se fazer a "FUGA", para outro aquartelamento, que pela sua distância, relevo do terreno e vegetação densa era de todo impensável que nós assim o decidíssemos.
No dia 4 de Agosto de 1974, após embarcarmos em dois helicópteros Puma todos os nossos pertences pessoais, assim como material militar confidencial e percutores de obus e outros equipamentos militares de pouco peso.
À noite foram destruídas munições, granadas e mais algum material de guerra. Nessa noite, houve "Bar e Restaurante aberto".
Após esta situação abandonámos o Aquartelamento com destino ao Chai, tendo levado dois dias de um intenso e desgastante percurso agravado com o moral bastante abatido devido a esta "fuga" precipitada.
Duas fotos elucidativas da penosa caminhada Nangololo-- Chai
Em 7 de Agosto, saímos do aquartelamento Chai em coluna ??????até Macomia.
Em 9 de Agosto, data em que nos deslocámos em coluna auto até Porto Amélia, tendo embarcado na Fragata Pereira DEça com destino a Lourenço Marques.
Na deslocação marítima que estávamos a efectuar, recebemos informação via rádio de que deveríamos desembarcar em António Enes, pois já por lá haviam muitos conflitos entre brancos e negros e não havia tropa na zona. 
Fomos então alojados num armazém e constantemente éramos assediados pela população branca em pânico de que deveríamos actuar com firmeza junto da origem desses conflitos que eram nas cantinas junto aos aldeamentos.
Como não detínhamos informação superior de como deveríamos actuar, aguardávamos que nos dessem autorização para ir manter a ordem que estava completamente fora de controlo.
O sistema nervoso que já estava a chegar aos limites, assim como toda a solicitação intensa da população branca em pânico, deslocámo-nos ao aldeamento para manter a ordem, e então foi o caos pois nada nos fazia parar.
A muito custo lá se conseguiu que a companhia acalmasse e a ordem foi minimamente restabelecida.
Mantivemos-nos mais alguns dias e depois embarcámos novamente tendo chegado a Lourenço Marques  em 17 de Agosto de 1974.
Ficaram então dois Grupos em Lourenço Marques, um na Namaacha e o meu em João Belo.
Em Lourenço Marques assistimos e estivemos no RCM no 7 de Setembro e desta data até ao 21  de Outubro assistimos e com participação nos imensos tumultos ocorridos entre as tropas portuguesas, os civis e as forças da Frelimo.
A 31 de Outubro regressámos finalmente a Portugal.

Texto e fotos de:
Duílio Caleça 
Alferes Miliciano da CART 7256

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