EMBOSCADA
Era noite quando chegámos Sem movimentos suspeitos
Sorrateiros De madrugada
A aldeia adormecida Desmontámos desiludidos
Uma cilada A emboscada
Emboscámo-nos Depois
Silenciosos Viemos a saber
Montámos guarda Por uma criança
Na expectativa Que afinal
De que alguns viessem Quando emboscámos
Passar a noite com a família Os turras já estavam nas palhotas
Num porron abandonado Em silencioso convívio de família
Cochilei de olhos abertos E a darem certamente
Sobre uma mochila Com tranquilidade e confiança
Cheia de bazucas As suas cambalhotas
Que me ofereceu o Barbacena Sabendo que nós
Por almofada Ingénuos
Lhes estávamos a fazer a segurança
FIM
INGLÓRIA
Dentes Partidos Longe
Caras desfeitas Bem longe
Olhos na mão Nos Gabinetes
Sangue coalhado de olhos espremidos Perde-se a guerra
Em taças de ferro E os incompetentes sagram-se heróis
De fogo Não há culpados
De fim Só inocentes
Dentes cerrados Neste jardim
Caras quadradas E os incompetentes sagram-se heróis
Olhos de lama Na selva virgem
Homens vazios Calam-se em valas
Comem na queda Os restos de vidas de jovens valentes
A paz Esquecidos
Do capim Assim
Perdidos na mata em negros lençóis
FIM
PARTISTE NO BARCO
Que vai Que vai
Que vem Que vem
Que vai Se ninguém
Para além Resistir
Cheio de ninguém Alguém
Que vai Dos que vão
Que vem Voltará alguém?
Até que volte Nem todos virão
A partir Alguns
Vieste no barco Hão-de ir
Que vai No barco que vai
Que vem P`ra o além
Sem ninguém
FIM
| Despedida |
NOVAS ANTIGAS
Dos que partem dos que chegam Vi chorar teu pai, amigo
Dos que ficaram para além Chorar do mal e do bem
Trago novas meu amigo Trago novas que duvido
Trago de quem novas tem Possam alegrar alguém
Vi teu irmão meu amigo Vi morrer, morrer, amigo
Vi teu pai vi teu ninguém Vi morrer o teu ninguém
Trago novas só para mim Trago novas que não digo
Trago de quem as não tem Nova do mal e do bem.
Vi rir teu irmão, amigo FIM
Rir do mal e rir do bem
Trago novas que consigo
Lembrar ainda tão bem
CANTAS POEMAS
Cantas poemas Nem imagina o odor
Ao soldado que passa Da morte
Na tua cidade Nem a dor da guerra
Canta poemas Canta poemas
ao soldado que passa Ao soldado que passa
A desfilar na Avenida Talvez não regresse
Que chega E em vez duma prece
Que marcha Canta~-lhe
em cima da vida em flor Um poema de amor
Que passa na tua cidade FIM
De cabeça erguida
Sem saber o que o espera.
Poemas de Carlos Campos
Furriel Milº da CCAÇ 1558
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