Data: 6 a 11 de Junho de 1969
Participantes:
10ª Companhia de Comandos
Companhia de Cavalaria 2376
Companhia de Cavalaria 2375
2 Companhias do BCAÇ Paraquedistas 32 (Nacala)
1 Companhia do BCAÇ Paraquedistas 31 (Beira)
Meios de acção
4 aviões Nordatlas
3 aviões Dakota
8 aviões de combate T6 (ligeiros)
2 aviões de combat e PV 2 (pesados)
1 avião Dornier DO
Material apreendido
A acção conjunta de cerca de 680 homens determinados, pouco mais de uma dúzia de aviões e quatro dezenas de viaturas chegou para desbaratar mais de duas centenas de guerrilheiros, destruindo os seus abrigos, desmantelando os acampamentos de apoio logístico, queimando os víveres e celeiros e escorraçando os galináceos e cabritos para o mato. Mas, alguns pára-quedistas mais “habilidosos”, conseguem “iludir” as vistas dos chefes (guardando dentro dos camuflados e nas mochilas) e, no sossego do último dia, apresentam umas dezenas de galinhas para o churrasco colectivo; é que, depois do revés sofrido pelo inimigo, nada mais havia a temer nesta paz do diabo.
Além da preciosa documentação sobre a orgânica da Frelimo, foram apreendidos mais de 7.600 kg de valioso material de guerra, bicicletas e meios de passagem através do rio Rovuma.”
- Pelas Tropas Pára-quedistas
- 1723 granadas de morteiro 82mm;
- 2 morteiros 82mm completos e peças de outros;
- 182 espingardas Simonov e 200.700 cartuchos;
- 1 metralhadora pesada e 6 metralhadoras ligeiras;
- 63 granadas de mão e 21 armadilhas de itinerários;
- diversos equipamentos.
- Pelas tropas do Exército C.Cav.2376 de Nangade e C.Cav.2375 de Mocimboa do Rovuma, especialmente pelos Comandos
- 97 espingardas semi-automáticas e 18.200 cartuchos;
- 8 espingardas automáticas PPSH;
- 1 morteiro 82mm e 93 granadas de morteiro;
- 5 metralhadoras pesadas;
- dezenas de minas e armadilhas;
- diversas granadas defensivas;
- fardamento e diverso material de campanha.
A ACÇÃO
Por acção concertada entre o comando do sector militar de Mueda, o comando das tropas pára-quedistas e a Força Aérea Portuguesa, reuniram-se as condições para desencadear uma das mais bem organizadas operações militares da Guerra Colonial Portuguesa em Moçambique: a Operação Zeta. Tratando-se duma zona de terrenos pantanosos, com muitos escarpados e arribas, arbustos rasteiros e linhas de água, logo os responsáveis pela logística perceberam a impossibilidade de assaltar os acampamentos da FRELIMO, detectados por via aérea, sem que fossem postos em causa os princípios da surpresa e da eficácia.
Por acção concertada entre o comando do sector militar de Mueda, o comando das tropas pára-quedistas e a Força Aérea Portuguesa, reuniram-se as condições para desencadear uma das mais bem organizadas operações militares da Guerra Colonial Portuguesa em Moçambique: a Operação Zeta. Tratando-se duma zona de terrenos pantanosos, com muitos escarpados e arribas, arbustos rasteiros e linhas de água, logo os responsáveis pela logística perceberam a impossibilidade de assaltar os acampamentos da FRELIMO, detectados por via aérea, sem que fossem postos em causa os princípios da surpresa e da eficácia.
Para ultrapassar essas dificuldades, foram preparadas duas companhias de pára-quedistas para tomarem a posição dominante do terreno por envolvimento aéreo, saltando de pára-quedas. Após terem saltado os precursores para a balizagem, apareceu o avião com o primeiro grupo de combate a sobrevoar a zona de intervenção e os olhares dos mais nervosos procuravam diluir o imprevisto da chegada ao solo.
Ao sinal dos largadores, os homens do ar perfilaram-se na carlinga dos aviões, ajustaram os equipamentos e saíram apressados para o vácuo do espaço que os separa das terras alagadiças nas margens do rio Rovuma. Enquanto apreciavam o serpentear das águas do rio e as nesgas de areia para onde apontavam a aterragem, os pára-quedistas não esqueciam que podiam estar na mira de qualquer arma de um inimigo mais atento. A chegada ao solo foi rápida, como mandam as regras em saltos operacionais, para logo se reunirem os grupos de combate com vista à defesa da zona e segurança dos companheiros que vão chegando ao solo.
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Pântano Malambuage |
Durante toda a operação Zeta, o apoio aéreo foi importante, tendo participado uma Dornier 27 no comando operacional, um helicóptero armado de metralhadoras pesadas, oito aviões T6 de ataque aos grupos inimigos que tentavam escapar ao cerco, dois aviões bombardeiros PV2, quatro aviões Nordatlas e três Dakotas no lançamento dos pára-quedistas. A acção de bombardeamento aos grupos fugitivos ajudou a amolecer o ímpeto combativo dos guerrilheiros e cortou-lhes as linhas de fuga.
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Dornier DO 27 |
O Comandante do Batalhão de Caçadores para-quedistas 32, sedeado em Nacala, teve a seu cargo a coordenação de todas as Tropas em acção, especialmente o apoio aéreo, os precursores da balizagem, os meios de recolha dos para-quedas, a logística para as colunas auto que recolheram o pessoal e o material apreendido. Os pára-quedistas empenhados nas acções que culminou nesta operação pertenciam ao BCP32 e ao BCP31. A sua elevada mobilidade permitiu infligir uma estrondosa derrota aos guerrilheiros, desarticulando as suas linhas de infiltração a partir das bases na Tanzânia, nomeadamente do comando logístico de Nachingwea e do pessoal operacional vindo do centro de treino em Mtwara, utilizando a estrada de Mahuta a Newala, a norte do rio Rovuma. Era impressionante a quantidade de picadas, trilhos e esconderijos dissimulados e espalhados numa área superior a vinte campos de futebol, na maior parte, em direcção ao local de travessia do rio, para a estrada que liga ao interior da Tanzânia.
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